A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 05/09/2021
Pero Vaz de Caminha, responsável por narrar as descobertas das novas terras para o rei de Portugal, ficou maravilhado com a natureza exuberante das terras brasileiras. Entretanto, pouco mais de 500 anos depois, o Brasil está em rota de destruição desse bem tão precioso. Uma das principais causas desse problema é a forma como nossa mobilidade urbana se tornou insustentável, devido a grande emissão de gases nocivos. Por isso, convém analisarmos como a baixa concentração de moradias nos centros urbanos e a dificuldade de promoção de meios de locomoção sustentáveis contribui para esse fato.
Em primeiro lugar, em reportagem da BBC, duas cidades de população similar (Barcelona na Espanha e Atalanta na Itália) foram comparadas. A primeira, que possui grande concentração populacional no centro, emite menos da metade de gás carbônico, além do tempo de deslocamento das pessoas para o trabalho também ser menor. Isso demonstra a necessidade urgente do Brasil redefinir o modo como trata a urbanização, já que, grande parte das nossas metróples, tem a maioria da sua população vivendo longe do trabalho, tendo que realizar grandes deslocamentos. Isso acarreta grande concentração de carros, congestionamentos crescentes e transporte público super lotados.
Outrossim, desde a Revolução Industrial, os motores em combustão, abastecidos com combustíveis fósseis, são essenciais no dia a dia de grande parte do planeta, colaborando para maior velocidade de deslocamento e da produção industrial. Porém, com o aumento populacional e popularização de carros, motos e caminhões, esse tipo de tecnologia se tornou insustentável obrigando governos e população a repensá-la. Assim, transportes mais sustentáveis têm se popularizado, mas com velocidade ainda aquém da necessária. Isso decorre da falta de políticas públicas de promoção desses, seja por meio de construção de ciclovias, incentivo à produção e à compra de carros, motos e bicicletas elétricos ou de compartilhamento de carros, por exemplo.
Portanto, para que a visão de Pero Vaz de Caminha não seja destruída por completo, é necessário repensarmos o modo como vivemos e nos locomovemos. Assim, é necessário que, o governo brasileiro, crie políticas de habitação similares as de Barcelona de modo a popularizar as habitações e concentrar mais pessoas próximas aos seus trabalhos. Além disso, por meio de parcerias público privadas o governo deve conceder incentivos para a produção e venda de meios de locomoção sustentáveis, de modo a diminuir as emissões de gases de efeito estufa tão prejudiciais. Com isso, espera-se que com mais pessoas vivendo próximas ao seu trabalho e com maior percentual de veículos movidos a energia sustentável, o Brasil consiga garantir ao seus cidadãos o que a sua “Constituição Cidadã” prega, ou seja, o direito a um meio ambiente equilibrado, à saúde e qualidade de vida para todos.