A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 21/11/2021

A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu Artigo 6°, o direito de ir e vir como inerente a todos os cidadãos brasileiros. No entanto, na prática, essa prerrogativa não é efetivada, dado a crescente crise na mobilidade urbana do Brasil. Esse cenário nocivo ocorre não só devido à passividade do corpo civil, mas também em razão de políticas públicas ineficazes.

Nesse sentido, é válido destacar a omissão da sociedade em exigir melhorias nos transportes públicos do país. Nessa lógica, consoante aos dados do jornal CNN (Cable News Network), o Brasil é o segundo país que mais coleta impostos na América Latina, porém, oferta à população péssimas condições estruturais para a mobilidade urbana. À vista disso, observa-se que, se o corpo civil, o qual paga tributos hiperbólicos, reivindicasse investimentos no setor de locomoção porporcionais às taxas pagas, pressionaria a esfera pública a sofisticar a condução brasileira. Dessa maneira, nota-se que a omissão dos indivíduos em exigir direitos essenciais, como o bom funcionamento do tráfego urbano, é obstáculo para reparações e progressos no sistema de deslocamento do país.

Além disso, é imprescindível salientar a inércia governamental em exercer políticas públicas que reduzam as mazelas sociais. Nessa perspectiva, segundo o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, o teste de moralidade do Estado é como ele lida com os problemas citadinos. Diante disso, conforme bases do jornal CNN, o Brasil não possui políticas públicas para estruturar as cidades a adotarem de forma efetiva outras opções de transportes, como a bicicleta. Percebe-se, assim, que o alheamento estatal em fornecer alternativas ao translado é fator exponencial no aumento da crise da locomoção urbana, dado que ele não dedica as devidas atenções a essa problemática tão cotididana na vida dos brasileiros. Tal atitude lamentável expressa perigo para o equilíbrio social, já que os cidadãos sofrem diariamente em função da negligência do setor público.

Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro danoso. Para isso, cabe à população, entidade essencial para exigir mudanças sociais, reivindicar, por meio de protestos pacíficos, melhorias no sistema de condução pública, a fim de receber as devidas aplicações dos impostos pagos anualmente. Paralelamente, o governo federal deve, por intermédio de sólidos investimentos, enviar verbas para projetos de infraestrutura de transporte em todo o território nacional, como ciclofaixas, com o objetivo de ampliar as opções de modais de translado e diminuir a crise de deslocamento urbano. Dessa forma, será possível a construção de uma nação moral aos moldes de Bonhoeffer e que respeite os direitos elencados na Constituição.