A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 07/09/2021

A Constituição Cidadã de 1988 garante a todas as pessoas o direito livre de ir e vir. Contudo, em muitas regiões do país, ele é dificultado. Isso ocorre porque a crescente crise da mobilidade urbana brasileira é um fenômeno cada vez mais comum, haja vista os fatores históricos do desenvolvimento econômico e industrial, além do sistema obsoleto de transporte, que não corresponde ao potencial de desenvolvimento modal do Brasil.

priori, a saturação da mobilidade urbana brasileira ocorre por fatores históricos do desenvolvimento econômico e industrial. Isso acontece porque durante o ciclo do café - desenvolvido, primordialmente, no sudeste - se deram os primeiros sinais da industrialização. Hodiernamente, apesar da região passar por um processo de desconcentração industrial, ainda é o epicentro financeiro e, além disso, concentra o maior contingente populacional do Brasil. Ademais, trata-se de um local dinâmico, isto é, com um intenso fluxo de pessoas, informações e mercadorias. No entanto, dado o precário sistema de transporte do país, fica claro que a infraestrutura não consegue abranger essa mobilidade. Nesse sentido, segundo o site correio.rac, pesquisas mostram um cenário futuro preocupante para a cidade de Campinas, que poderá entrar em colapso em até oito anos caso não sejam adotadas medidas eficientes para destravar o grande contingente de veículos que trafegam pelas ruas da cidade. Sendo assim, é fulcral que haja um sistema de transporte adequado à realidade brasileira.

Além disso, a mobilidade urbana também é afetada pelo sistema obsoleto de transporte. Isso acontece porque, durante o governo de Juscelino Kubitschek, houve um grande investimento na construção de rodovias para atender indústrias automobilísticas, que pretendiam se instalar no Brasil. Entretanto, apesar de mais de meio século dessa política, seus efeitos são presentes ainda nos dias atuais, visto que o país é dependente do sistema rodoviário de transporte. Como exemplo disso, pode-se citar a greve dos caminhoneiros de 2018, que estagnou o fluxo de mercadorias e produtos fazendo com que o país “parasse”. Dessarte, é de suma importância que outros modais sejam implementados para que não haja essa relação de dependência de um único modelo de transporte.

Diante disso, concerne ao Ministério do Transporte, a fim de minorar a crescente crise da mobilidade urbana, implementar um sistema multimodal de transporte, por meio de um projeto que visa a substituição do modelo rodoviário por outros alternativos, como por exemplo a cabotagem, o trem e o metrô. Além do mais, cabe ao Estado incentivar a sociedade civil a aderir esses outros meios no seu dia a dia, por meio do barateamento dos custos. Quiçá, com tais ações, toda a população terá seu direito de ir e vir garantido na prática.