A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 19/09/2021
A entrada da indústria automobilística no país, durante o governo de Juscelino Kubtischek, representou o princípio do desenvolvimento da mobilidade urbana do Brasil. No entanto, esse cenário inicial de expectativa e crescimento, atualmente, se encontra em crise, pois há uma defasagem nesse progresso. Isso ocorre, não só devido às consequências do incentivo da cultura de massa, mas também pelo descaso com o transporte coletivo.
A partir disso, cabe o entendimento do efeito provocado pela indústria cultural na sociedade. Segundo os filósofos da Escola de Frankfurt, a indústria criadora de conteúdo, ao proporcionar a comercialização de itens supostamente ideais, induz o consumo incontido da população. De forma análoga, essa proposta é associada aos carros, visto que sua supervalorização midiática e aquisição descomedida, resulta na lotação de estradas, provoca congestionamentos, acidentes e o consequente declínio da mobilidade brasileira. Desse modo, a propagação da cultura de massa, com o auxílio do excesso de veículos nas rodovias e suas sequelas desafiadoras, sustentam a problemática do deslocamento urbano.
Outrossim, é evidente que o sucateamento do transporte coletivo também colabora com a questão abordada. Nessa perspectiva, o uso do modal comunitário, é comum entre as classes brasileiras, em razão da comodidade de acesso e eficiência. Entretanto, o descaso com esse serviço, causado principalmente pela falta de manutenção do poder público, ocasiona na impossibilidade de seu funcionamento eficaz. Assim, na medida em que a performance insatisfatória dos transportes coletivos, impede que a malha de condução pública opere de acordo com a demanda atual, o desenvolvimento da mobilidade brasileira é afetado. Logo, a depreciação desse setor contribui com a crise da locomoção no núcleo urbano.
Portanto, é preciso que o Estado, instituição de poder máximo, por intermédio de leis específicas destinadas a donos de veículos, promova o contenção do número de carros circulantes nas vias, a fim de evitar incidentes e atenuar a influência da cultura de massa. Ademais, é dever do Ministério dos Transportes, órgão de capabilidade atribuída, estimular a revitalização adequada da malha de transporte coletiva, por meio da contratação de profissionais capacitados e especializados na recuperação da propriedade comum, com o intuito de encorajar o desempenho correto do sistema de locomoção geral. Dessa forma, é possível almejar o fim da crescente crise na mobilidade urbana no Brasil.