A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 26/09/2021

A obra audiovisual “Perrengue”, produzida por Murilo Azevedo, mostra os desafios da mobilidade na cidade de São Paulo, denunciando o cenário de caos que os habitantes enfrentam. Em consonância à conjuntura de engarrafamentos e lotação de transportes públicos vistos no documentário, verifica-se, na configuração hodierna brasileira, uma crescente crise na mobilidade urbana de todo o país. Sob esse prisma, é notória a presença de um problema motivado pela carência de uma infraestrutura de qualidade, aliado à negligência por parte do aparato estatal.

Nessa perspectiva, é prudente salientar que a precária estrutura dos meios públicos de deslocamento é um entrave para a problemática. Esse cenário de transportes de má qualidade é visto nos versos da música “Transporte Público”, do artista Rincon Sapiência, retratando a deplorável realidade enfrentada por muitos brasileiros de aglomeração nos vagões e os constantes atrasos, comparando ainda com a facilidade que aqueles que se locomovem de carro possuem. Devido a esse quadro, muitos cidadãos optam por comprar um veículo para não enfrentarem os males dos coletivos, fator que agrava o congestionamento local. Dessa forma, urge o investimento em uma melhor infraestrutura para esses meios públicos.

Em paralelo, a falta de ações por parte do Estado é outro obstáculo no que tange ao problema. Diante disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Karl Marx, que considera o governo passivo frente aos problemas sociais. Consoante aos dizeres do pensador, nota-se a carência de intervenções do Estado mediante ao contexto de transportes públicos de baixa qualidade e com frotas que não atingem todos os locais da cidade e respectivas suas demandas, gerando uma insatisfação populacional. Sendo assim, é urgente a realização de ações que melhorem o fluxo de pessoas pelas estradas das metrópoles.

Tendo em vista os fatos supracitados, torna-se evidente, portanto, que medidas sejam tomadas para solucionar esse problema. Por conseguinte, cabe ao Governo Federal, aliado a empresas automobilísticas, investir em aprimoramentos nos coletivos dos centros urbanos. Para isso, deve-se reformar os ônibus e metrôs que já estão em circulação, melhorando os seus assentos e adicionando ar-condicionado para tornar as viagens mais confortáveis, além de aumentar o número de veículos, visando ampliar as linhas para atingir mais pontos da cidade e evitar aglomerações e atrasos. Desse modo, passageiros que antes reclamavam da condição dos transportes públicos usufruirão de um meio digno para se locomover, e o Estado não será mais passivo aos problemas sociais, como afirma Marx.