A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 20/09/2021

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu, em suas obras, uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações, frequentemente, esquecidas ou ignoradas. Sob a ótica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar a problemática da crescente crise na mobilidade urbana brasileira. Nesse sentido, a fim de dissertar e argumentar sobre essa temática, é importante ressaltar a negligência estatal e a educação brasileira.

Mormente, deve-se salientar a ausêndia de medidas governamentais que melhore a qualidade do transporte público. Nessa conjuntura, Otto Von Bismarck, estadista mais importante da Alemanha do século XIX, afirmou que o Estado deve garantir o bem-estar social da população. Sob esse viés, na medida em que existem pessoas vivendo sem acesso à meios de transporte que facilitem o cotidiano, com mais opções de meios de locomoção e com o tempo do trajeto menor, a fim de diminuir a superlotação, observa-se, nesse ponto, a falha grotesca da função do poder público, o que, infelizmente, é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar que uma grande parcela da população se mostra alienada quanto aos benefícios do uso de bicicletas para mobilidade urbana. De acordo com o musicólogo Vladimir Jankélévitch, em seu livro entitulado “Paradoxo da Moral”,  o homem moderno carrega uma cegueira ética, ou seja, as pessoas apresentam passividade frente aos impasses enfrentados. Similarmente, percebe-se que a sociedade desconhece sobre as vantagens desse tipo de transporte, como redução de engarrafamentos e emissão de poluentes, diminuindo os impactos ambientais. Essa situação ocorre, porque, a população adquire uma postura individualista e não se movimenta em prol de aderir ao uso das ciclovias. Desse modo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar esse entrave. Sendo assim, cabe ao governo federal ampliar os corredores de BRT( Bus Rapid Transit) em todo o território brasileio. Além disso, o Ministério da Educação deve promover uma série de palestras em escolas, ministradas por especialistas no assunto, que tenham alunos do ensino médio como público-alvo. Essa ação deve ser compartilhada na rede social do Ministério em formato de “Live”, com a finalidade de trazer mais clareza sobre as vantagens do uso de bicicletas como meio de transporte, atingindo um público maior. Assim, torna-se possível a construção de uma sociedade permeada pela incorporação dos elementos elencados na Magna Carta.