A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 21/10/2021

Com o advento das revoluções industriais a população vem migrando recorrentemente para as cidades em busca de melhores condições de vida. Contudo, devido ao crescimento demográfico, a mobilidade urbana encontra-se em crise, pois há pouco investimento do Estado em meios alternativos de transporte que, além de proporcionar uma boa saúde, corroboram com a redução do trânsito caótico nas cidades. Ademais, a preferência pela utilização de veículos próprios segue superior a de coletivos devido à demora e às más condições que os mesmos se encontram. Dito isso, nota-se que discussões acerca do tema precisam ser promovidas.

Primeiramente, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), cerca de 60% dos transportes no Brasil é realizado por rodovias, haja vista que o país conta com vários relevos e uma vasta rede hidrográfica - formada por rios extensos e de grande volume de água, disponíveis para contribuírem com a locomoção de pessoas e mercadorias dentro do território. Vale ressaltar que, além dos modais citados, a caminhada e o ciclismo também são maneiras alternativas de amenizar a crise na mobilidade, entretanto, são comumente desassistidas pelo Estado, pois há pouco espaço para ciclovias e as calçadas, em muitos casos, estão em péssimas condições.

Outrossim, com o impacto da pandemia do Covid-19, iniciada em dezembro de 2019, as dificuldades da população para se deslocar no ambiente urbano ficaram mais evidentes. Como exemplo, podemos citar o decreto de redução da frota de ônibus em algumas cidades do país, que tinha finalidade de diminuir aglomerações, porém, o efeito foi contrário. Não só a falta de ventilação e desconforto nos acentos colaboraram com a insatisfação popular, ainda a demora dos coletivos durante o trajeto e ausência de limite máximo de indivíduos acentuaram os problemas de deslocamento.

Conclui-se, portanto, que ações devem ser tomadas para mitigar os imbróglios atuais. Faz-se imperativo que o Governo Federal, junto a ANTT, crie projetos de modais públicos que integrem áreas com disponibilidade hídrica e de relevo favoráveis ao uso de balsas, barcos e contrução de ferrovias, afim de disponibilizar diferentes meios para conduzir pessoas e mercadorias ao seu destino, com isso, transportes individuais podem deixar de ser prioridade. Por fim, o Estado e os governos municipais, em conjunto, devem fiscalizar vistorias nos coletivos das cidades, diante de relatórios comprovados pelas empresas de transportes e pesquisa de satisfação da comunidade, com intuito de tornar o trajeto diário mais agradável, tal como acolchoamento dos bancos e horários fixos nas estações de embarque, além de alargarem e reformarem ciclovias e calçadas. Com isso, espera-se que passageiros, ciclistas e pedestres tenham suas necessidades atendidas, sanando assim, as insatisfações e a crise vigente.