A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 28/09/2021

Fenômeno comum nos países em desenvolvimento, a rápida e desordenada expansão da malha urbana originou diversos problemas socioeconômicos para as cidades vítimas desse despreparo. De maneira análoga, as cidades brasileiras enfretam desafios semelhantes- sobretudo- no tangente à precariedade da mobilidade urbana. Nesse viés, dois motivos se destacam no formação de um trânsito deficitário nas ciades do Brasil: a falta de investimentos corretos na área e a crescente cultura do transporte individual.

Em princípio, é fundamental ressaltar a inaptidão dos governos municipais em investir em uma infraestrutura eficiente ao transporte de massas. À vista disso, movidos por projetos demagógicos- sobretudo- inspirados pelo presidente Juscelino Kubitscheck, prefeitos priorizam o modelo automotivo de transporte público, os ónibus, em detrimento de modelos de transporte de massa, como trens e metrôs. Dessa forma, como maneira de enganar a população, optam por projetos mais baratos e ineficientes, mas com maiores vantagens políticas, não se aprofundando em soluções mais coerentes aos desafios de uma mobilidade urbana verdadeiramente eficiente.

Outrossim, a crescente cultura do transporte individual é outro importante entrave para a mobilidade urbana nas cidades brasileiras. Posto isso, como explicam os sociólogos da escola de Frankfurt, a tendência das sociedades burguesas é uma danosa expansão do individualismo e do consumismo, refletidos, no caso da mobilidade urbana, como o desejo por possuir um carro próprio independentemente dos empecilhos pessoais ou coletivos dessa decisão. Em suma, sob o risco de dívidas insunstentáveis e longas horas perdidas em engarrafamentos, o brasileiro, alienado pela sociedade capitalista, opta por possuir um veículo só para si, contribuindo para um transito inchado e ineficiente nas cidades brasileiras.

Convém, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar essa problemática. Dessa maneira, é preciso que o Governo Federal tome ações para combater o uso ineficente das verbas públicas pelos municípios por meio de leis que destinem a maior parte desse dinheiro para o transporte de massa, seguindo o exemplo da China, país com o maior crescimento nesse setor, e focar nesse modal ferroviário, a fim de criar um ambiente urbano menos congestionado e onde os cidadãos possam exercer o direito de ir e vir sem empecilhos. Por outro lado, o Ministério da Educação deve mudar os currículos escolares focando na concientização da nova geração para os males do individualismo e do consumismo exarcebados, a fim de produzir uma sociedade menos suscetível as nocivas influências capitalistas e, por consequência, reduzir a cultura do transporte individual.