A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 30/09/2021

Superlotação. Engarrafamento. São essas as situações vivenciadas pelos brasileiros que necessitam de se locomover no país. Tal conjuntura pode ser relacionada com os elevados investimentos no modal rodoviário no período de governo de Juscelino Kubitschek, visto que sua política desenvolvimentista priorizava a ascensão das indústrias automobilísticas. Hoje, esse cenário, reflete na violação do direito de ir e vir presente na Constituição, pois atrelado a enorme circulação de veículos, os problemas do processo de urbanização do Brasil afetam diretamente a mobilidade urbana, bem como polui constantemente o meio ambiente. Nesse sentido, convém analisar causas e as soluções viáveis para atenuar essa problemática.

Deve-se analisar, de início, a relação da urbanização dos países subdesenvolvidos com a manutenção desse impasse. No Brasil, esse processo ocorreu de forma rápida e irregular, e possui como principal característica o fenômeno denominado favelização, que consiste na ocupação de regiões periféricas por indivíduos marginalizados. Sob tal perspectiva, pode-se afirmar que a classe trabalhadora que reside nessas áreas demanda de um elevado tempo para realizar a locomoção diária, como também necessitam de utilizar mais de um transporte público. Dessa forma, tal circunstância promove a superlotação dos transportes e inviabiliza a efetivação da mobilidade urbana.

Somado a isso, é essencial compreender como os problemas da mobilidade urbana afetam significativamente a poluição atmosférica e a saúde humana. Atualmente, a falta de investimentos públicos nos transportes coletivos proporciona a permanência da sua precária infraestrutura e resulta na preferência por automóveis particulares por parte das classes sociais que possuem maior poder aquisitivo. Dessa maneira, esse panorama possui como consequência direta o aumento significativo da circulação de veículos, bem como aumenta a emissão de gases poluentes, que segundo o INCA, Instituto Nacional de Câncer, compromete a saúde humana e o meio ambiente.

Diante disso, é necessária uma ação efetiva por parte do governo, instância máxima de administração executiva, que consistiria em inserir ao planejamento escolar uma nova educação, voltada para um ensino dinâmico que vise a redução dos problemas sociais, por intermédio de aulas e palestras educativas.Nesse processo pedagógico, deve ser abordada a importância de utilizar o transporte público para a locomoção, a fim de conscientizar os estudantes e garantir uma melhora na mobilidade urbana, bem como diminuir a emissão de gases poluentes. Ademais, é necessário que o poder público priorize investimentos para o setor de transporte, com o objetivo de melhorar sua infraestrutura e, consequentemente, garantir a preferência dos cidadãos por transportes públicos.