A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 03/10/2021
O incentivo à indústria automobilística pelo governo de Juscelino Kubitschek promoveu transformações no transporte de cargas e pessoas do Brasil. Atualmente, os efeitos de tal iniciativa são percebidos no sobrecarregamento do sistema de mobilidade urbana, o qual, devido à baixa qualidade do transporte público brasileiro, à dependência do modal rodoviário para o transporte de mercadorias e ao enraizamento de uma cultura de enaltecimento aos veículos de transporte individual, encontra-se em crise, o que causa efeitos negativos a curto e longo prazos.
Deve-se salientar, de início, que o transporte coletivo gratuito, no Brasil, é ineficiente e ocasiona a insatisfação popular. Nesse sentido, cabe referenciar as manifestações ocorridas em 2013, as quais demonstraram o descontentamento social no que tange à má qualidade do serviço e ao valor das tarifas cobradas. Dessa maneira, é notório que, por não dispor de uma rede de locomoção adequada e humanizada – com atrasos e superlotação – o conjunto social opta pelo uso de automóveis individuais, os quais, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estátística, somam quase 60 milhões e, consequentemente, prejudicam o deslocamento urbano no país. Além disso, a dependência do modelo rodoviário para o transporte de mercadorias fomenta a problemática, haja vista que o governo de JK não ampliou, a exemplo, o modal ferroviário, levando ao saturamento das vias brasileiras.
Concomitantemente, o desejo de aquisição de carros, fomentado a partir dos processos de industrialização e urbalização, faz parte da cultura nacional. Isso porque, além de trazer maior conforto, o automóvel tornou-se um produto de consumo representante de um “status” social de prestígio. Por conseguinte, a compra exacerbada de tal modal de transporte intensifica – a curto prazo – os congestionamentos diários e o maior gasto de tempo com mobilidade, o que acarreta irritabilidade e, até mesmo, a violência no trânsito. Ademais, o aumento da frota de veículos gera maior emissão de poluentes, fato que corrobora o efeito estufa e o fenômeno das ilhas de calor.
Portanto, evidencia-se a imprescindibilidade de mecanismos que promovam maior qualidade do sistema de mobilidade urbana no Brasil. Para isso, é urgente que o governo federal invista no transporte público brasileiro a partir do aumento da frota de ônibus – para evitar a superlotação, os atrasos e torná-lo mais humanizado – e da ampliação das linhas de metrô no país – para aumentar as opções de locomoção e reduzir o tempo entre viagens. Objetiva-se, desse modo, mitigar a compra e o uso de carros e, dessa forma, tornar o deslocamento urbano mais eficiente e sustentável ao reduzir congestionamentos e os efeitos negativos causados ao meio ambiente.