A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 02/11/2021
O caos no trânsito, o estresse, os atrasos, as muitas horas perdidas durante o deslocamento e os transportes públicos lotados são algumas das características da mobilidade urbana que fazem parte da vida dos moradores das grandes cidades brasileiras. Esse cenário traz vários prejuízos ambientais, sociais e econômicos à cidade e aos habitantes. Diante desse cenário, é pertinente ressaltar fatores que corroboram com a problemática, dando destaque ao processo de urbanização do Brasil e ao valor simbólico atribuido às mercadorias.
Em primeira análise, o processo de urbanização no Brasil não se deu de forma homogênea e apresenta o padrão dos países subdesenvolvidos. Desse modo, pode-se citar a concentração de parcela considerável das riquezas em poucas metrópoles e a segregração, nas áreas periféricas, da população mais pobre, como algumas características. Normalmente, essas áreas isoladas ainda dependem da cidade, origina-se, assim, o movimento pendular, no qual um fluxo de pessoas tem que se deslocar diariamente, por motivos de trabalho, estudo, lazer dentre outros, dentro de uma região metropolitana. Esse pocesso, sobrecarrega o trânsito, uma vez que não foi planejado para receber todo esse fluxo de transportes.
Em segunda análise, na contemporaneidade, observa-se a supervalorização de bens materiais devido à atribuição de um valor que vai além daquele que considera apenas sua função original. Nesse âmbito, é necessário trazer o conceito de " Feitichismo da Mercadoria", idealizado por Marx, importante sociologo alemão. Isso acontece quando um bem material tem o seu significado ampliado, por exemplo, o carro foi criado, a princípio, para permitir a locomoção mais rápida das pessoas. Entretanto, atualmente, ele adquiriu um signicado além deste, muitas vezes é atribuido um status social. Sendo assim, milhares de pessoas compram um carro particular pelo poder ideológico que será atribuido a eles como proprietários.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que atenuem a crescente crise da mobilidade urbana no Brasil. Destarte, urge que o Governo Federal, em parceiria com as administrações estaduais e regionais, faça o transporte público ser mais atrativo, por meio da ampliação de investimentos nesse setor, a fim de que mais pessoas optem por usufruir dele, em detrimento de seus próprios carros. Para atrair mais pessoas é necessário melhorar a qualidade, a infraestrutura, o preço, e a otimização do tempo, isso será possível investindo na malha metroviária. Desse modo, será possível mitigar o número de carros nas ruas e, consequentemente, aliviar a mobilidade urbana.