A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 12/10/2021
O escritor Carlos Drummond de Andrade, no seu poema “No meio do caminho”, retrata, de modo figurado os contratempos que o ser humano enfrenta em sua jornada. Da mesma forma, a crescente crise na mobilidade urbana no Brasil, faz-se um empecílio, o qual é motivado pela negligência estatal e o execesso de carros.
Em primeiro lugar, é importante dizer que a displicência governamental é um fator limitante. Nesse sentido, o sociólogo Raymundo Faoro em sua teoria do Monstro acracéfalo, destaca a demasia de normas em detrimento de ações, uma vez que o Monstro - país, pensa muito e faz pouco. Essa premissa concretiza-se no Brasil na medida em que as atuais políticas estatais são negligentes quanto ao fornecimento de transporte público eficiente, tais como ônibus e metro. Assim, o não provimento desses ocasiona transtornos para a sociedade, há exemplo da dificuladade de locomoção e lotação dos transportes coletivos.
Ademais, vale ressaltar que o exagero de carros catalisa a situação. Nessa perspectiva, observa-se que a não provisão de transporte público suficiente para atender as demandas das grandes metrópoles gera a busca pelo transporte indivídual. Dessa maneira, há a chamada carrocracia, ou seja, a demasia do veículo supracitado. Com efeito, a Constituição Federal de 1988 é violada, pois garante a mobilidade urbana, a qual é afetada pela problemática.
Em suma, ainda persiste no Brasil, a crise no deslocamento urbano. Logo, é dever do Estado em parceiria com os Governos Estaduais e Municipais garantir o planejamento do espaço público, por meio da contratação de arquitetos e engenheiros - com formação acadêmica voltada para vias públicas, tais como: ruas, estradas e rodôvias - , a fim de mitigar as adversidades da caminhada humana ilustradas por Drummond.