A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 17/10/2021

O “Plano de Metas”, do governo de Juscelino Kubitscheck, supervalorizou a indústria automobilística e a cultura do carro. No Brasil, como consequência desse enaltecimento, a malha rodoviária se tornou a predominante e os problemas relacionados à mobilidade urbana representam, atualmente, um dos maiores desafios urbanos e ambientais do país. Isso se evidencia não só pela negligência governamental, como também pela escassa abordagem midiática do problema. Assim, medidas são imprescindíveis para sanar esse nocivo entrave.

Diante de tal contexto, é fundamental pontuar a falta de políticas públicas como forte agravante ao dilema. Nesse contexto, o artigo 5º da “Constituição Cidadã” atribuída ao governo uma obrigação de garantir a todos os residentes do país o direito de ir e vir. No entanto, ao analisar uma situação caótica da mobilidade urbana, percebe-se que esse direito social não é cumprido como deveria e, ao contrário, há um precário engajamento estatal. Isso ocorre devido ao caráter histórico de crescimento desordenado das cidades brasileiras e a escolha do Governo - na figura de Kubitscheck - de priorizar a malha rodoviária em detrimentos dos diversos modais mais eficientes, como o caso da metroviária que transporta um grande número de pessoas ao mesmo. Dessa maneira,

Ademais, outro fator é responsável por intensificar o entrave da mobilidade citadina: o caráter esporádico de campanhas de conscientização. Isso porque, como afirmado o escritor inglês George Orwell, em sua obra “1984”, os meios de comunicação em massa importantes atores na construção da sociedade. Nessa perspectiva, muitas vezes, a mídia não só negligência o debate acerca dos diversos modos de transporte e seus benefícios para a fluidez do trânsito, como também bombardeia os cidadãos com campanhas públicas de automóveis de última geração. Dessa forma, o cidadão brasileiro, inserido nessa lógica de ignorância e alienação, perpetua a super valorização no uso do carro particular e não percebe que sua liberdade de ir e vir está sendo, paulatinamente, reduzida.

É imperativa, portanto, a necessidade de possíveis de mitigar a problemática. Logo, para reverter esse quadro, é preciso que o Estado - por meio do Ministério da Infraestrutura - aumente os investimentos e transportes públicos e expansão da malha metroviária nas grandes cidades. Para tanto, o foco estratégico de tais ações deve recair - sobretudo - na valorização dos diversos modais de descolamento em detrimento do automóvel habitual. Ademais, o Governo Federal deve criar campanhas que sejam veiculadas nas mídias, de forma a abordar o tema em questão. Com essas medidas, objetiva-se reduzir, gradativamente, os problemas relacionados à mobilidade urbana no Brasil. Dessa forma, a sociedade brasileira poderá desfrutar plenamente de seus direitos constitucionais.