A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 20/10/2021

Stefan Zweig escreveu, em 1945, o livro “Brasil, um país de futuro”. Entretanto, hodiernamente, observa-se que a pátria está muito longe de corresponder a tal imagem, uma vez que com o passar dos anos, aumenta cada vez mais a instabilidade do tráfego nas cidades brasileiras. Nesse contexto, a inércia dos administradores público, além dos costumes arcaicos da população acrescem a crise na mobilidade canarinha.

Diante disso, é válido destacar que a inaptidão dos governantes agravam ainda mais o desequilíbrio. Nessa perspectiva, John Locke, filósofo iluminista, diz que o ser humano abre mão de sua liberdade para possuir direitos, contudo, quando essas prerrogativas não são estabelecidas, há uma quebra do chamado “contrato social”. Sob essa ótica, as prefeituras e seu órgãos ligados a mobilidade são falhos ao não promoverem medidas que possam diminuir a instabilidade viária no país, como o pouco investimento em transportes coletivos, dado que, consoante o IBOPE, grande parte dos entrevistados deixam de utilizar a condução pública por suas condições precárias. Por conseguinte, há aumento no número de carros e motos nas vias brasileiras que, por muitas vezes, possui apenas uma pessoa em seu interior, em relação ao ônibus, por exemplo, que pode levar mais de trinta seres. Logo, verifica-se a necessesidade de políticas públicas eficientes para reverter esse cenário.

De modo complementar, outro impasse é a permanência do pensamento retrógrado na sociedade. Desse modo, conforme o sociólogo Émmile Durkheim, o fato social figura como uma maneira coletiva de agir e pensar. Nesse sentido, a teoria do pensador é observada no atual contexto brasileiro , visto que, uma geração ao crescer em uma sociedade que tem como principal prioridade o transporte individual, tende a internalizar essa realidade como permanente, aceitável e cotidiana. À vista de exemplo, segundo pesquisa da Universidade de São Paulo, feita na Estação da Sé, 87% dos indivíduos afirmaram que caso possuíssem um automóvel, o usariam para sua locomoção. Perpetua-se, então, a banalização social como outro entrave para a solução da crise viária Tupiniquim.

Em suma, constata-se que ações são necessárias na inaptidão dos governantes e no pensamento da população. Destarte, as prefeituras dos municípios devem, por meio de maiores investimentos, melhorar a qualidade do transporte coletivo. Assim sendo, aquisição de mais conduções, construção de faixas exclusivas, ônibus com ar-condicionado são algumas opções de melhorias. Por fim, o ato tem como finalidade de melhorar a fluídez do trânsito. Ademais, o Ministério da educação precisa, por intermédio da mídia, orientar a importância de utilizar o deslocamento público. Em síntese, a medida é levantada com o intuito de minimizar a crise viária no país.