A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 20/10/2021
A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 6, o direito ao transporte como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se concretizado na prática - como disserta Gilbert Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel” - quando se observa a crescente crise na mobilidade urbana, colaborando na dificuldade de locomoção, além da poluição ambiental. Dessa forma, por causa da negligência do Estado, bem como a desinformação na sociedade brasileira, essas consequências são agravadas.
Com efeito, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater esse problema. Nesse sentido, a escassez de projetos estatais que visem a proporcionar tanto o serviços de transporte públicos de qualidade, quanto a infraestrutura de calçadas acessíveis, ciclovia contribui para o surgimento de engarrafamentos quilométricos, além de acidentes com deficientes. Essa conjuntura, de acordo com as ideias do contratualista John Locke, configura-se como uma violação ao “contrato social”, já que o governo não exerce sua função de garantir os direitos essencias da população. Uma das consequências disso é o grande número de cidadãos estressados, com crises de ansiedade, depressivos, em virtude da necessidade de enfrentar todos os dias o mesmo problema de mobilidade.
Nota-se, outrossim, que a desinformação na sociedade brasileira, no que tange aos malefícios do uso de automóveis para o meio ambiente, é uma grande impulsionadora desse impasse. Nesse contexto, devido à falta de informações nas redes midiáticas sobre a importância do uso de transportes públicos em vez de veículos individuais, há a relativização do pensamento de proteção ambiental, visto que os carros a combustão acentua o aquecimento global. Nesse horizonte, segundo o escritor George Orwell, " a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa". Dessa maneira, é perceptível como a população é controlada pelos interesses capitalistas das empresas automobilísticas, haja vista a prefência na compra de máquinas.
Portanto, percebem-se os entraves que contribuem para a crescente crise na mobilidade urbana brasileira. Destarte, é dever do Ministério da Infraestrutura aumentar os investimentos tanto nos transportes públicos, quanto na acessibilidade da cidade, mediante construções de ciclovias,calçadas acessíveis,mêtros e também pela desponibilização de maiores frotas de ônibus, no intuito de melhorar a qualidade de vida do cidadão. Ademais, é mister ao Ministério das Comunicações abordar a importância do uso de transportes alternativos e públicos, por meio de propagandas e campanhas publicitárias nos meios de comunicação. Desse modo, será possível edificar uma sociedade permeada pela efetivação dos princípios da Carta Magna.