A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 21/10/2021

Em um dos episódios da animação norte-americana, “South Park”, uma empresa de patinete elétrico se estabelece na cidade dos protagonistas, originando debates sobre a necessidade de alternativas de transporte e a inclusão destes para a classe baixa. Contudo, tal situação não foi exclusiva da ficção, tendo ocorrido, por meio de iniciativas privadas, na capital de São Paulo, com o intuito de facilitar a mobilidade urbana, uma vez que esta apresenta crises devido à concentração exarcebada de empregos em regiões centrais e a carência do transporte público em localidades periféricas.

Primeiramente, é de suma importância destacar as consequências dos conglomerados empregatícios estarem pouco dispersos nos munícipios brasileiros. O fluxo mobilístico nas grandes cidades costuma, por esta razão, ter o mesmo sentido e, diante ao horário comercial, saturam o acesso à rodovias e avenidas, tornando a mobilidade terrestre lenta e insatisfatória para os cidadãos. Portanto, a concentração destes atrativos acentuam a crise, posto que tais estradas absorvem recursos de maneira insuficiente e posterga o investimento em áreas afastadas.

Em segundo aspecto, é notável que as adversidades da locomobilidade variam de acordo com as classes sociais. A população brasileira, em maioria, não possue condições monetárias para adquirir imóveis próximos a seus respectivos trabalhos, fazendo com que habitem zonas periféricas e fiquem dependentes do transporte público. Entretanto, tais regiões carecem de linhas interligadas que possam realizar a mobilidade de forma prática, tornando o deslocamento devagar e custoso.

À vista disso, é necessário que o Estado tome medidas para combater a problemática. O Ministério da Infraestrutura precisa arquitetar formas alternativas de transporte, construindo metrôs subterrâneos intermunicipais que visem a inserção do público periférico nas zonas atrativas sem que estes precisem recorrer ao transporte terrestre e padecer do trânsito mobilístico. Deste modo, os cidadãos poderão se locomover de maneira satisfatória e, diferente de “South Park”, incluir indivíduos da classe baixa em oportunidades longínquas.