A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 23/10/2021

De acordo com a Constituição Federal de 1988, é direito fundamental do cidadão a liberdade de ir e vir. No entanto, ao analisar a presente situação do trânsito no Brasil, percebe-se que esse direito não tem sido assegurado, uma vez que cenas de congestionamento intenso não são raras, principalmente nos centros urbanos. Nesse sentido a dependência histórica que o país apresentanta com o transporte rodoviário, aliado a fatores sociais, são grandes agravantes do problema.

Salienta-se, em primeiro plano, que o Brasil é um país essencialmente rodoviário. Isso ocorre pois, durante o governo do presidente Juscelino K., a nação investiu expressivamente na integração do interior com o litoral, fato que se concretizou por meio de estradas. Graças a isso, o modal de transporte rodoviário foi amplamente incentivado, permitindo, assim, uma maior frota de veículos em território nacional. Portanto, entende-se que o problema de mobilidade no Brasil tem causas históricas, ligadas intimamente ao desenvolvimento do país.

Ademais, é relevante evidenciar que questões socioculturais também estão intrinsecamente relacionadas ao tema. Sob essa ótica, o consumismo e a crescente valorização de bens materiais na sociedade tornam-se grandes problemas para o trânsito, posto que, de modo gradativo, a população dá preferência a veículos maiores e mais luxuosos, buscando status social. Nessa perspectiva o pensador espanhol José Ortega y Gasset forma sua teoria sobre o “homem-massa”, exemplificando que, em linhas gerais, a população perdeu o senso crítico, e passou a exaltar conquistas supérfluas como sinônimo de ascensão social. Então, compreender os atuais valores da população é fundamental para sanar o problema.

Infere-se, portanto, medidas para amenizar a situação caótica em que se encontra o trânsito no Brasil. Para isso, o Governo Federal, por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura do Transporte, deve possibilitar a utilização de outros modais para a locomoção, incentivando o uso do transporte público e da bicicleta, diminuindo, assim, o contingente de carros em circulação. Ainda, o Estado deve promover campanhas a fim de desconstruir a imagem do carro próprio como sinônimo de sucesso, fazendo com que as pessoas optem por meios mais eficientes de se deslocar na cidade. Com isso, o direito à liberdade de ir e vir previsto na constituição será realmente garantido.