A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 24/10/2021
De acordo com Oscar Wilde, um escritor inglês, a insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou de uma nação. Essa afirmação pode ser, facilmente, aplicada ao comportamento da sociedade diante da crescente crise na mobilidade urbana brasileira, dado que é justamente a falta de incomodo social que solidifica esse problema no país. Nesse sentido, essa situação tem como origem inegável o inchaço populacional, o qual mostra-se visível na coletividade. Assim, não só a expansão das cidades, como também a precária colaboração econômica a mobilidade pública intensifica o quadro.
Convém ressaltar, a princípio, que a evolução urbana é um fator determinante para a persistência do impasse. Isso ocorre porque o desenvolvimento industrial desencadeou o movimento de êxodo rural, isto é, a migração de pessoas das regiões rurais para os territórios urbanos em virtude da busca por melhores condições de vida. Dessa forma, essa situação proporciona o crescimento das cidades, por conseguinte, com o surgimento de áreas periféricas, o deslocamento dos cidadãos é dificultado. De acordo com uma pesquisa feita pelo site Brasil Escola, a taxa de indivíduos vivendo nas zonas rurais no início do século passado era de 65%, já nas zonas urbanas era de 35%, logo, no fim do mesmo século, a população urbana era de 80% contra 20% da população rural. Diante de tal exposto, é notório que essa mudança social aumentou a demanda por transportes no Brasil.
Nesse contexto, observa-se que o escasso investimento em transportes comunitários consolida o empecilho no corpo social. Esse cenário advém da negligência governamental em financiar projetos para a manutenção de veículos públicos, como ônibus e metrôs. Ademais, o sucateamento do transporte coletivo contribui para que as classes de maior poder aquisitivo adquiram automóveis individuais, já que o desconforto desses transportes populares prejudica a saúde e o estado do cidadão brasiliano, à vista disso, inúmeros impactos são implementados na vida social, tal como acidentes e o acréscimo da poluição. Segundo Jean-Jacques Rousseau, na obra “Contrato Social”, o Estado é responsável por viabilizar ações que garantam o bem-estar coletivo, em outras palavras, é função da política administrativa preservar os direitos sociais a todos os brasileiros.
Sob esses viés, fica evidente o crescente desequilíbrio na circulação civil brasileira. Nesse âmbito cabe ao Ministério da Cidadania e Ministério da Economia promover financiamentos e incentivar o uso de ciclovias e veículos coletivos por meio da criação de campanhas e de uma reforma legislativa e infraestrutural, a fim de proporcionar segurança e satisfação a nação. Enfim, a partir dessas medidas será possível frear a crise na mobilidade populacional.