A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 25/10/2021
O filme estadunidense ‘’Admirável Mundo Novo’’ de 1988 – inspirado no romance britânico de Aldous Huxley – apresenta uma sociedade utópica e futurística que é desprovida de guerras, crimes e doenças, ou seja, de problemas sociais. Fora da ficção, é fato que a situação apresentada mostra-se distante da realidade contemporânea, visto que a crise na mobilidade urbana caracteriza um desafio a ser sanado na sociedade brasileira. Isso ocorre, seja pelo êxodo urbano acelerado, seja pela falta de incentivo aos transportes coletivos. Dessa maneira, é imperioso que essa chaga social seja resolvida.
Diante desse cenário, é lícito salientar o crescente número de pessoas, e consequentemente de veículos, se direcionando aos espaços urbanos. Nesse sentido, vale ressaltar o êxodo rural incentivado pelas políticas desenvolvimentistas do governo de Juscelino Kubitschek, quando milhões de famílias foram incentivadas, através de subsídios governamentais, a irem para o meio urbano, em busca de empregos e melhores moradias. Entretanto, tal movimentação foi marcada pela falta de planejamento do governo, que não soube lidar com o inchaço urbano gerado. Similarmente, a situação apresentada nos anos 60, de nada difere da realidade atual, onde frotas de veículos geram a crise da mobilidade urbana.
Ademais, vale discutir sobre a falta de investimentos no setor dos transportes coletivos como fator impulsionador da crise da mobilidade urbana. Sob essa ótica, de acordo com a nota lançada pelo Centro de Estudos da Metrópole, somente 5,4% dos corredores de ônibus previstos pelo Plano Diretor Executivo foram implantados desde 2016. Nessa linha de raciocínio, observa-se que os veículos individuais, tendo maiores benefícios e incentivos do governo, são optados pela população, em detrimento dos transportes coletivos, que não são inovados ou reformulados, no intuito de atrair a população. Por conseguinte, a crise da mobilidade se instaura como problemática contemporânea, ocasionada principalmente pela má atuação do governo em promover sua popularidade.
Torna-se evidente, portanto, que a crise da mobilidade urbana tem origem de ações governamentais passadas, e até hoje não foi solucionada. Assim, cabe ao Executivo, mediante o investimento no Ministério da Infraestrutura, que atuará na reformulação dos transportes coletivos, como ônibus, remodelando a malha rodoviária, e incentivando a população a optar por esses meios de transporte. Outrossim, cabe ao Governo Federal melhorar as calçadas e ampliar as ciclovias, de modo a incentivar outros meios de locomoção, diminuindo os carros nas ruas e, consequentemente, a poluição. Somente assim, a mobilidade urbana deixará de ser uma crise no Brasil.