A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 28/10/2021

Consoante Yuval Harari, historiador contemporâneo israelense, em sua obra 21 lições para o século XXI, o grande diferencial para as próximas décadas será a habilidade em lidar com as mudanças. Nessa perspectiva, uma modernidade, em especial, exigirá destreza do Poder Público no Brasil: a crise da mobilidade urbana - fragilizada pela queda na utilização dos transportes públicos e pela ausência de estrutura para meios alternativos, como a bicicleta.

Nesse contexto, produto da intensa urbanização, a utilização de transportes coletivos pelos brasileiros é fundamental. Entretanto, dados da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano apontam redução de 40% em seus serviços nos últimos dois anos, sendo um dos principais motivos a migração de usuários para aplicativos de transporte. Apesar das vantagens geradas pela utilização desse meio, sua recente massificação é preocupante, pois aumenta a número de veículos nas vias e, consequentemente, os problemas de trânsito.

Além da falta de competitividade dos transportes públicos, a locomobilidade no Brasil sofre também com o descaso com outro importante meio de deslocamento: a bicicleta. Nesse caso, a falta de ciclovias é a principal carência, uma vez que, conforme dados de 2017 do IBGE, apenas 14 em cada 100 municípios brasileiros contam com vias para os ciclistas e em quantidades insuficientes. Assim, além de prejudicada a segurança dos usuários, desperdiça-se um importante elemento, estratégico nos fluxos em muitos países desenvolvidos.

Infere-se, dessarte, que os desafios da mobilidade urbana demandam ações urgentes. Nesse sentido, cabe ao Ministério dos Transportes estudar soluções internacionais bem-sucedidas e aplicá-las à realidade brasileira, principalmente nas capitais, ainda que de forma gradual; outrossim, incentivar a expansão das ciclovias em todos os municípios. Assim, evitar-se-á o colapso e as cidades brasileiras estarão melhor estruturadas para outras inúmeras transformações do século XXI.