A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 02/11/2021
É insofismável que o Brasil cresce cada vez mais em termos de conquistas sociais. Entretanto, no que diz respeito, principalmente, à urbanização e seus efeitos acerca da mobilidade urbana, o país apresenta calamidades. Esse cenário, por sua vez, foi construído desde tempos remotos com a intensa e desenfreada criação de rodovias e de indústrias automobilísticas, durante o governo JK, na década de 1960. Tal fato, somado ao intenso êxodo rural da época, culminou, hoje, em uma crise de mobilidade urbana que fomenta tanto problemáticas estruturais quanto ambientais e, portanto, deve ser resolvida.
Nesse viés, é válido ressaltar que a falta de um planejamento para mobilidade urbana, desde a década de 60, foi um fator expoente da crise hodierna nesse aspecto. Isso quer dizer que, em um contexto de intensas alterações no relevo brasileiro para o incremento automobilístico, o país não suportou as rodovias excessivas. Como exemplo disso, no documentário “Entre Rios”, disponível no Youtube, é mostrada a realidade de São Paulo que, ao ser edificada em uma região hidrográfica, teve muitos rios desviados para a construção de estradas e, por isso, enfrenta disfunções estruturais como enchentes e enxurradas, já que a água das chuvas não retorna ao seu curso natural devido à impermeabilização dos asfaltos sobre os rios. Com isso, o tráfego de carros é prejudicado e, consequentemente, a mobilidade urbana comprometida pelo risco oferecido pelo grande acúmulo de água nas ruas.
Ademais, é preciso salientar que a crescente crise na mobilidade urbana reforça dilemas ambientais na medida em que é responsável pela emissão de gases tóxicos. Em outras palavras, o alto número de veículos circulantes acarreta a emissão de gases poluentes, por causa da queima dos combustíveis fósseis utilizados, como o dióxido de carbono e enxofre, que são responsáveis pelo aumento de fenômenos ambientais nocivos à saúde humana, como efeito estufa e inversão térmica. Dessa forma, com o aumento da temperatura global, provocado pelo efeito estufa, e com a inversão térmica provocada pelos gases dos automóveis apreendidos na atmosfera, a população torna-se paulatinamente menos propensa a se deslocar ao ar livre em detrimento da utilização de mais automotores, o que consolida a crise na mobilidade urbana como uma problemática ainda crescente e sustentada pelos efeitos advindos dela.