A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 01/11/2021

Quando o Brasil se tornou uma república os futuros presidentes tiveram que encarar as heranças de uma colônia de exploração outrora comandada por Portugal. Dentre tais heranças se encontrava a quase inexistente rede de vias de transporte entre as regiões litorâneas e interioranas do país. Porém, em meados do século XX o presidente Juscelino Kubitschek apresentou e implantou o rodoviarismo como um projeto de integração territorial. Todavia, após algumas décadas de foco exclusivo para o rodoviarismo, o país se encontra em outra crise de mobilidade urbana, esta sendo uma crise de dependência nacional em relação ao modal rodoviário e consequentemente uma crise tanto de mobilidade urbana quanto ambiental.

Dessa maneira nota-se que a crescente crise na mobilidade urbana brasileira está interligada ao fato do país possuir uma estrutura de mobilidade que não leva em conta a sua realidade geoespacial. Pois como acreditava o geógrafo brasileiro Milton Santos, a urbanização brasileira ocorreu de modo repentino e desorganizado. Percebemos tal fato ao considerar que há no país rodovias margeadas pelo litoral nacional que vão do Sul do país até o Nordeste, porém, em seu lugar poderia se usar a cabotagem, técnica com maior custo benefício. Com efeito, além de trazer prejuízos nacionais por meio da dependência do modal rodoviário, ela também agrava uma crise ambiental mundial.

Isto é, para que seja suprida toda a demanda relacionada ao rodoviarismo nacional há uma necessidade de criação e manutenção de rodovias como também de incentivo a utilização de tal meio de transporte pela população. Haja visto que, de acordo com a Organização das Nações Unidas, a crescente demanda de utilização de combustiveis fósseis é um dos principais agravantes do aquecimento global. Ou seja, enquanto o Brasil não repensar sua mobilidade urbana o país estará sendo conivente para com a poluição ambiental como também estará quebrando o acordo internacional sobre desenvolvimento sustentável Rio 20, o qual o país  assinou e se comprometeu a cumprir.

Portanto, nota-se clara a necessidade de o país passar a ampliar sua gama de transportes alternativos para acabar com sua dependência do rodoviarismo. Para atingir tal fim, o Ministério da Infraestrutura deve por meio de parcerias com instituições privadas, realizar uma oferta de transportes públicos alternativos para a população. Tais transportes seriam escolhidos após uma análise geoespacial, realizadas pelas Unidades Federativas do Brasil, para a decisão do  transporte de melhor custo benefício. Já as empresas responsáveis pela implementação seriam escolhidas pelo processo padrão de licitação pública. A partir de tal mudança na mobilidade urbana do país haverá uma queda na dependência nacional do modal rodoviário e uma afirmação de suas responsabilidades ambientais.