A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 03/11/2021

O romance filosófico ‘‘utopia’’ criado pelo escritor inglês Thomas Morus  no século XVI - retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, mostra-se distante da realidade contempôranea no tocante a crise na mobilidade urbana. Problema ainda a ser combatido no Brasil. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão da falta de apoio aos meios alternativos de deslocamento, mas também da ausência de infraestrutura adequada para os meios variados de locomoção. Desse modo, torna-se fundamental a análise desssa conjuntura para reverter esse quadro deletério.

Primordialmente, aponta-se a infimidade do apoio aos meios incomuns como fator agravante da problemática. A concepção capitalista de acúmulo aliada a produção em grande escala ocausionaram um sentimento de desejo e reverência aos automóveis, por parte dos brasileiros, tornando a posse de veículos automóveis um artigo luxuoso e desejável. Entretanto, tal cultura de anseio por carros reflete em uma postura de contrariedade perante os meios diferentes de locomoção, como a utilização de bicicletas, tornando o uso das mesmas inviável sob a ótica da população em geral e, consequentemente não sendo escolhidas como meio de transporte. Pode-se comprovar tal desaprovação, quando, segundo a revista ‘‘Exame’’ de 2014 para 2015 o apoio a construção de ciclovias e faixas caiu em 28%.

Ademais, pode-se apontar a ausência de infraestrutura que possibilite os meios alternativos de transporte. Segundo o filósofo contratualista Jonh Locke, o Estado foi criado por meio de um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno brasileiro, visto que, devido a baixa atuação das autoridades, a maiorida das cidades do Brasil, encontram-se carentes e desprovidas de ciclovias, excluindo aqueles que decidem optar por andar de bicicleta ao invés de utilizar carros ou ônibus. Tal influência da presença de ciclovias se comprova quando em São Paulo cidade com maior quilometragem de ciclovias do Brasil, houve um aumento de mais de 1.135 ciclistas em um ano, segundo a revista ‘‘Exame’’.

Infere-se, portanto, a necessidade de mitigação dos entraves em prol da resolução da crise da mobilidade urbana. Assim, cabe as secretarias municipais de todo o Brasil realizar campanhas de conscientização por meio de panfletagens acerca da necessidade de optar pela utilização de ciclovias, visando o convencimento e apoio dos cidadãos. Cabe, também ao Congresso Nacional aumentar o percentual de investimento, por meio de uma alteração na lei das diretrizes orçamentárias, visando a construção de ciclovias por todo o País. Dessa forma poder-se-á concretizar a ‘‘utopia’’ de Morus.