A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 04/11/2021
A obra “Velocidade”, do pintor futurista Giacommo Balla, retrata o conturbado dinamismo entre automóveis nas grandes cidades. Analogamente, nota-se a crescente crise da mobilidade urbana no Brasil, oriunda da negligência e desorganização governamental. Destarte, o colapso da circulação, gera impactos sobre a funcionalidade das metrópoles, sendo necessário, dessa maneira, o enfrentamento da problemática para a conservação do direito de ir e vir dos cidadãos.
Em primeira análise, entre as políticas reformistas implementadas pelo presidente Juscelino Kubitschek, na década de cinquenta, destaca-se o incentivo a indústria automobilística, responsável pela consolidação de um histórico rodoviarista no país, em detrimento de outros meios de locomoção. Por conseguinte, conforme dados do Ministério da Infraestrutura, a frota de veículos nacionais vem crescendo de maneira acelerada, o que compromete o fluxo de bens e pessoas no espaço geográfico brasileiro, uma vez que ocasiona a superlotação de vias públicas. Desta forma, segundo pesquisas da Agência Brasil, os congestionamentos não só acarretam elevados custos financeiros, mas também debilitam a ordem social, visto que a desorganização do transporte urbano leva ao aumento do número de acidentes no trânsito, demostrando assim a ineficiência da motricidade metropolitana.
Mediante ao elencado, como exposto no documentário “Perrengue: O desafio da mobilidade em São Paulo”, a crise do deslocamento citadino é acentuada pelos baixos investimentos em meios de locomoção alternativos, como ônibus e bicicletas, os quais possibilitam a redução do número de carros circulantes e oferecem menores impactos socioambientais. Contudo, a inadvertência do Estado para com a manutenção do transporte público causa o sucateamento de veículos, que não conseguem suprir as demandas populacionais, levando os transeuntes a optarem pelo deslocamento individual. Ademais, a precariedade de ciclovias, ruas e passeios coletivos não oferece segurança ou comodidade para pedestres e motoristas, prejudicando dessa maneira a funcionalidade da movimentação urbana. Logo, percebe-se a prevalência de empasses para o tráfego cidades, comprovando a importância da execução de reformas governamentais para a garantia do bem-estar dos brasileiros no trânsito.
Infere-se, portanto, a necessidade da otimização da mobilidade urbanística. A começar pela criação de um projeto de lei na Câmera dos Deputados, voltado a ampliação das verbas destinadas ao transporte coletivo, tendo como finalidade incentivar seu aproveitamento e, consequentemente, reduzir a ocorrência de engarrafamentos. Outrossim, a realização de reinvindicações populares direcionadas as Secretárias Municipais do Transporte, por meio de abaixo-assinados, que visem exigir a manutenção de vias públicas para a garantia da livre e segura circulação de pedestres e motoristas.