A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 11/11/2021
Jean Paul Sartre, filósofo francês, defendeu a ideia de que o homem está condenado ao direito de livre locomoção e que não há barreira social, psicológica ou histórica que possa ofuscar isso. Tomando como norte a máxima do autor, compreende-se que tal ideal é falho na sociedade hodierna quando se coloca em foco a superpopulação de veículos nas rodovias e carência da oferta de trânsporte público de qualidade.
Em primeira análise, infere-se que essa problemática também está presente no Brasil, haja vista que o país prioriza o transporte rodoviário, sendo ainda mais expressivo com o advento do rodoviarismo e a crescente presença de indústrias automobilísticas, principalmente a partir das políticas desenvolvimentistas de JK. Outrossim, o neoliberalismo que se seguiu impulsionou a concessão de rodovias, o que alavancou desproporcionalmente o setor de transportes em território nacional, ocasionando uma crise urbana de mobilidade sem precedentes, sentida com maior intensidade nos dias atuais.
Ademais, é notório que a população sente-se descontente com a qualidade com a qual os serviços públicos para a locomoção lhes são ofertados, tendo em conta que 83% do corpo social estaria disposto à utilizar o recurso se este lhes atendesse às expectativas, segundo pesquisa realizada pelo IBOPE. Desse modo, constata-se a ineficiência do estado em promover a locomoção urbana de maneira eficaz e digna, considerando-se os constantes congestionamentos em grandes centros urbanos e a precariedade dos meios de transporte coletivos.
Infere-se, portanto, a adoção de medidas que venham a ampliar a oferta, produtividade e qualidade das alternativas de locomoção da coletividade. Dessa maneira, cabe ao Estado, desenvolver e investir em projetos de infraestrutura de linhas de ônibus e de metrô, por meio do Ministério da Infraestrutura, a fim de que a comunidade seja bem atendida. Espera-se com isso, construir uma sociedade atenta aos seus direitos.