A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 09/11/2021

Segundo Chimamanda Adichie, escritora nigerina, a transformação do “status quo”, ou seja, do estado das coisas, é uma missão árdua. Nessa perspectiva, pode-se traçar um paralelo com a realidade brasileira, na qual observam-se entraves em relação à mudança do agravamento da crise na mobilidade urbana no país. Tal conjuntura é reflexo da omissão governamental e de atitudes individualistas do corpo social. Diante desse cenário, é conveniente a análise de tal problemática.

Em primeira análise, é necessário evidenciar a inoperância estatal como motivador do problema.  Sob esse viés, o pensador Thomas Hobbes defende que é dever do Estado proporcionar meios que contribuam para o desenvolvimento de todo o tecido social. No entanto, tal premissa não corresponde ao cenário brasileiro, visto que as autoridades governamentais não priorizam a realização de ações efetivas quanto à crise do direito de ir e vir. Esse quadro pode ser verificado na carência de investimentos voltados para os meios de transporte limpos e coletivos, como a construção de ciclovias e de sistemas eficientes de transporte público. Logo, urge reação do governo para que esse revés seja superado.

Em segunda análise, é necessário salientar, também, o comportamento individualista como outro fator precursor do problema. Sob essa ótica, o sociólogo Karl Marx pontua que os indivíduos priorizam o benefício próprio em detrimento dos interesses de toda sociedade. Tal lógica é verificada ao analisar-se a questão da crise da mobilidade urbana no país, na qual expressiva parcela da sociedade dá preferência para meios privados de locomoção, tanto pelo conforto quanto pelo prestígio social, desconsiderando-se as consequências negativas para toda a coletividade. Essa conduta egocêntrica potencializa os entraves presentes nas vias urbanas, como o aumento do congestionamento. Assim, nota-se que a superação da problemática perpassa mudanças no comportamento da sociedade.

Portanto, é imprescindível intervir sobre esse cenário. Para isso, cabe governo incentivar o uso de meios de transportes limpos e coletivos. Isso deve ser feito por meio de investimentos no sistema de transporte público, como a compra de frotas de ônibus mais rápidos e com maior capacidade de passageiros, além da conscientização da população a cerca da crise da mobilidade urbana. Essa atitudes terão o intuito de promover a priorização de meios de locomoção que minimizem a crise do direito de ir e vir. A partir dessas ações será possível melhorar a atual realidade da nação.