A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 12/11/2021
A deficiência no trânsito brasileiro de fluxos intercitadinos e de fluxos intracitadinos é fruto de uma infraestrutura urbana mal planejada. A partir do implemento de um projeto de desenvolvimento nacional predominantemente rodoviarista, o então presidente da república, Juscelino Kubistchek, traçou, na década de sessenta, os caminhos para a futura atrofia dos modais viários. Dessa forma, decorrente do investimento errôneo do Estado na malha rodoviária em detrimento de um planejamento intermodal, o Brasil sofre com congestionamento nas metrópoles e com uma falha na integração territorial.
Em primeira análise, o conceito de macrocefalia urbana ilustra o cenário de infraestrutura precária nas cidades nacionais. Posto que, com o início da industrialização os governos brasileiros não investiram em um planejamento urbano, as cidades se constituíram de forma improvisada, acarretando, históricamente, em uma estrutura ineficiente da urbe. É sobre essa temática que o escritor uruguaio Eduardo Galeano disserta em sua obra “As veias abertas da América Latina”, na qual trata o subdesenvolvimento dos países latino-americanos como resultado de um projeto imperialista de nações do Hemisfério Norte. Sendo assim, é visível o impacto do subplanejamento urbano no cotidiano das cidades brasileiras.
Ademais, em segunda análise, a expansão do rodoviarismo aliada à clássica segregação econômica, contribuiu para a disseminação da cultura do transporte individual. Uma vez que os transportes públicos sofrem sucateamento devido à falta de gestão, os indivíduos com renda suficiente para comprar um carro de passeio e manter seu uso optam por essa iniciativa. Além disso, com a pavimentação de estradas promovida por “JK”, multinacionais do setor automobilístico se estabeleceram no Brasil, fenômeno que estimulou a compra de automóveis por uma grande parcela da população, visto que o preço desse bem se tornou acessível. Portanto, foram inúmeros os incentivos à adesão massiva do transporte individual, que atualmente contribui para os engarrafamentos.
Por conseguinte, infere-se a crise da mobilidade urbana brasileira como uma junção entre um imperialismo que impossibilita o pleno desenvolvimento do país e a má gestão de recursos. Em suma, urge a necessidade da adoção da intermodalidade de transportes no Brasil. Essa ação poderá ser efetuada por meio de uma parceria público-privada, direcionada pelo Ministério da Infraestrutura. A fim de tornar o Brasil um país melhor desenvolvido no âmbito da exportação, a iniciativa privada financiará projetos que interligarão as diferentes malhas nacionais. É também interessante o estímulo do Banco Mundial à economia brasileira, com o objetivo de ressarcir o país da ação predatória dos países desenvolvidos.Transformando, assim, o Brasil em uma nação organizada internacionalmente.