A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 13/11/2021
A Índia apresenta o trânsito mais caótico do mundo devido à grande frota de veículos e pessoas nas ruas. Apesar da distância e das diferenças culturais, o Brasil se aproxima cada vez mais da realidade enfrentada no país sul asiático: o desenvolvimento automobilístico desordenado e a falta de infraestrutura nas vias, têm promovido a crescente crise na mobilidade urbana brasileira. Nesse sentido, convém analisar os principais fatores, os efeitos e as possíveis medidas desse viés social.
Diante desse cenário, vale ressaltar a ausência de planejamento logístico urbano como um fator preponderante para a problemática em questão. Acerca disso, é pertinente citar o ‘‘Plano de Metas’’ do governo Juscelino Kubitscheck, o qual foi responsável por promover a indústria automobilística no país. Seguindo tal premissa, é possível associá-la à crise na mobilidade urbana, tendo em vista que o crescimento desenfreado na fabricação e aquisição de automóveis individuais na década de 50, não acompanhado de uma transformação estratégica das cidades, corroborou o expressivo inchaço nas rodovias. Dessa forma, o tráfego rápido é dificultado, dando espaço para o congestionamento.
Outrossim, é imperioso destacar as consequências desse problema. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todo cidadão tem direito à liberdade de locomoção e ao bem-estar. Embora o Brasil seja signatário desse documento, suas garantias são deturpadas, uma vez que a população brasileira enfrenta, diariamente, diversas dificuldades na mobilidade urbana. Como exemplo disso, nota-se a presença de calçadas estreitas, a falta de ciclovias e a superlotação das rodovias, responsáveis por provocar o estresse e frequentes acidentes de trânsito com pedestres, motoristas e ciclistas. Logo, é inadmissível que tal fenômeno continue a perdurar.
Destarte, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para coibir esse entrave. Para tanto, cabe ao Ministério da Infraestrutura, por meio de políticas públicas e com auxílio de engenheiros e arquitetos urbanistas, promover a reorganização do espaço com investimentos e planejamento logístico. Junto a isso, é vital que a mídia, mediante a promoção de campanhas, estimule as pessoas a optarem por veículos alternativos e coletivos, como ônibus, metrôs e bicicletas. Tais ações teriam a finalidade de ampliar as vias, diminuir o congestionamento e facilitar o deslocamento. Só então, será factível superar a crise na mobilidade urbana e assegurar um tráfego citadino harmônico.