A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 12/11/2021
Na obra, “O Grito”, de 1893, o renomado pintor francês Edvard Munch utilizou célebres nuances de pinceladas para retratar o medo nas linhas faciais do protagonista. Mais de 120 anos depois, esse sentimento faz-se marcante no semblante populacional em detrimento da crescente crise na mobilidade urbana no país. Sob esse viés, enaltece-se que o aumento de veículos particulares e a falta de investimentos aliada à precariedade dos transportes públicos fomentam a piora da flexibilidade nas cidades. Logo, rever as ações e a situação hodierna é imprescindível para solucionar essa vicissitude e garantir qualidade de vida à todos.
Nesse tocante, convém destacar que a alta aquisição pessoal de carros no território, além de comprovar a melhora de oportunidades financeiras, afeta diretamente a qualidade do trânsito. Acerca dessa lógica, a ascenção econômica, concomitantemente, com o conforto oferecido influi na escolha desse meio de locomoção. Nesse raciocínio, a adição quantitativa da frota piora o tempo gasto nas ruas, aumenta a poluição e ,principalmente, eleva o estresse do motorista. Assim, torna-se essencial repensar nas escolhas, uma vez que há o uso de aplicativos de caronas compartilhadas que minimizam essa chaga existente nos municípios comtemporâneos.
Sob essa ótica, enaltece-se que o descomprometimento estatal com a construção de alternativas ocasionam relevantes consequências no cotidiano. Nessa perspectiva, vale ressaltar o ideal do sociólogo francês Émile Durkhein, que compara o corpo biológico com a sociedade, a qual é formada por partes que interagem entre si. Em verdade, o descaso dos governantes com a construção de ciclovias, a instalação de BRTs( sistema de ônibus rápido) e a manutenção dos ônibus circulares induz o uso dos carros. Então, por meio desse cenário de desdém é possivel entender os impactos da irresponsabilidade, já que 93% dos cidadãos dizem preferir o uso das alternativas coletivas, se em bom estado, ao invés de viaturas, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Portanto, diante dos fatos supracitados, percebe-se a necessidade de discussão dessa temática uma vez que impacta a beatitude dos cidadãos. Desse modo, urge que as instituições formadoras de opiniões, como escolas, em parceria com ONGs (Organizações Não Governamentais), mediante encontros semanais, façam palestras socioeducativas à comunidade no intuito de esclarecer as implicações da decisão veicular e incitar a mobilização coletiva. Outrossim, cabe ao Estado, com o conveniente auxílio das prefeituras, por intermédio de reuniões, rever a verba a fim de investir em reformas, fiscalizações e realizações de obras. Dessa maneira, a emoção ilustrada no quadro expressionista não existirá nos rostos brasileiros uma vez que haverá melhora na locomobilidade.