A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 13/11/2021
A cidade de Amsterdã apresenta uma intensa integração entre os meios de transporte tradicionais e os métodos alternativos de locomoção, como as bicicletas. Dessa forma, a famosa região holandesa tornou-se símbolo de resolução de crise de mobilidade urbana. Por outro lado, o Brasil distanciou-se cada vez mais dos grandes exemplos mundiais, tornando-se um local marcado pelo caos dos transportes. Nessa lógica, é essencial compreender as causas dessa questão, dentre as quais se destacam a supervalorização do carro e a falta de atuação do governo.
Diante dessa perspectiva, é importante notar que o predomínio de uma mentalidade que associa o carro ao prestígio intensifica o crescente problema de locomoção. Acerca disso, é válido destacar o pensamento do intelectual Jean Baudrillard, o qual diz que os objetos deixaram de ter um valor exclusivamente utilitário e tornaram-se símbolos, levando a um desejo de consumo, muitas vezes incentivado pela mídia. Tal fato é demonstrado pelas inúmeras propagandas de veículos e filmes que associam determinados tipos de transporte ao statuas social. Perante o exposto, compreende-se que os indivíduos são levados a valorizar o transporte particular e não o público. Sendo assim, a crise é agravada, já que a maioria da população deseja ter um carro, indepentemente das horas de trânsito.
Ademais, é necessário reconhecer que mesmo que existam indivíduos dispostos a se locomover de outras formas, é extremamente complicado, pois o governo não age de forma eficiente. Tal ideia é validada pela construção da ciclovia no Rio de Janeiro, a qual resultou em um precário projeto que acabou desabando e matando várias pessoas. Sob essa ótica, devido à ineficácia dos agentes estatais, os meios de locomoção são sujos, cheios e perigosos. Assim, a população passa a ter receio de utilizar os serviços públicos, tornando-se imprescíndivel a criação de um plano de transportes seguro e integrado.
Portanto, a fim de solucionar a crise de mobilidade urbana brasileira, é preciso criar o projeto “Transporte Presente”. Em parceria com os governos estaduais, o governo federal irá investir na melhoria de serviços já existentes, além de divulgar nas mídias sociais vídeos que alterem o imaginário da população acerca do transporte público. Por meio de um estudo sobre as rotas mais utilizadas em cada estado, serão realizadas revitalizações de frotas e ciclovias. Desse modo, a mentalidade brasileira pode mudar e se aproximar do que é visto em Amsterdã.