A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 13/11/2021

Washington Luís, um dos presidentes durante a República Velha, afirmava: “Governar é abrir estradas” e, sob essa óptica, governou o país. Nesse contexto, diversos sucessores manteram, em maior ou menos grau, essa política, o que culminou na atual crise de mobilidade urbana. Assim, é possível inferir que a preferência pelo modal rodoviário no contexto nacional, em detrimento dos outros, possui um caráter histórico. Somado a isso, a falta de diversificação nos meios de transportes contribui, atualmente, para a intensificação dessa crise e, desse modo, carece de resolução.

Inicialmente, entender o contexto no qual a preferência pelo automóvel como meio de locomoção se fez presente é necessário. Sob esse escopo, destaca-se a ascenção da indústria automobilística no governo JK, na década 50, como medida de desenvolvimento econômico. Nessa conjuntura, a construção de rodovias e a massificação do uso de carros contribuíram para a intensificação do uso desse modal. Em razão disso, atualmente, o país conta, de acordo com a Confederação Nacional dos Transportes, com cerca de 60% do transporte de cargas feito sob rodovias, o que favorece a crise de mobilidade urbana. Desse modo, nota-se que o fator histórico e a perpetuação desse cenário pelas políticas públicas moldaram o atual panorama.

Adicionalmente, é importante apontar que a falta de diversificação nos modais de transporte também atua na exarcebação desse colapso. Segundo o Departamento Nacional de Trânsito, atualmente, o país tem 1 carro para cada 4 habitantes, o que traduz a preferência desse móvel em relação a outros, como bicicletas e patinetes elétricos. Ainda, a baixa eficiência dos transportes públicos, em termos de tempo de espera, conforto e segurança, também colabora para que a população opte pelo uso do automóvel. Logo, é perceptível que a apatia governamental em buscar soluções que melhorem o transporte alternativo auxilia na perpetuação desse cenário.

A partir do exposto, verifica-se que a mobilidade urbana no país encontra-se em colapso. Dessa maneira, com o objetivo de diminuir a dependência do brasileiro do modal rodoviário, é dever dos Governos Estaduais ampliar a oferta de ciclovias e ferrovias por meio de parcerias com a iniciativa privada. Em vista disso, tal empreitada deve objetivar a ampliação da malha ferroviária (trens e metrôs), além da reforma das ciclofaixas existentes e construção de novas. Dessa forma, a população terá acesso a mais opções de locomoção e, portanto, reduzirá a utilização de automóveis no cotidiano, contribundo para a resolução da crise nos transportes.