A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 13/11/2021
Desde o ano de 1988, todo e qualquer cidadão possui o direito de ir e vir assegurado pela Constituição Federal. No entanto, nota-se que esse direito fundamental não tem sido respeitado, visto que problemas relativos à mobilidade urbana crescem e se tornam cada vez mais aparentes, o que caracteriza uma necessidade urgente de intervenção. Portanto, com o fito de combater essa problemática, analisar os principais fatores que a corroboram é imprescindível, dentre os quais se destacam o crescimento exacerbado da frota de carros e a dependência das rodovias para o transporte de cargas e pessoas.
Precipuamente, cabe salientar que o aumento acentuado da quantidade de carros em circulação pelas estradas do país denota um dos motivos mais eminentes para o crítico panorama atual do deslocamento nas cidades. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas no ano de 2016, a frota de carros cresceu cerca de 400% nos 10 anos anteriores, o que denuncia a falta de comprometimento por parte dos governantes com os transportes públicos de massa. Os preços exorbitantes das passagens e os trajetos mal planejados, por exemplo, influenciam os indivíduos a arcar com os custos de obtenção de um carro, utilizado para o transporte de poucas pessoas e ocupando mais espaço nas rodovias. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Outrossim, a mobilidade urbana no Brasil é quase exclusivamente dependente do modal de transporte rodoviário, o que atrapalha o desenvolvimento de um sistema de locomoção inteligente. Desse modo, a Greve dos Caminhoneiros, ocorrida em 2018, evidenciou a precariedade das hidrovias e ferrovias do país, que recebem pouca atenção diante do seu potencial, e a dependência dos caminhões para o transporte de cargas pelas estradas do território nacional, que sobrecarregam o fluxo de trânsito nesses locais. Assim, investir em outras alternativas para a locomoção de cargas e pessoas representa a possibilidade de atenuar o problema atual.
Destarte, diante do exposto, medidas cabíveis devem ser tomadas com o intuito de otimizar a mobilidade urbana no país. Para isso, urge que o Ministério da Infraestrutura, órgão federal responsável pela formulação de políticas nacionais de trânsito, em parceria com os estados, municípios e empresas privadas de transportes, incentive a população a se locomover por outras alternativas, tais quais o transporte público e bicicletas, por meio de projetos que melhorem a qualidade dos veículos, bem como a diminuição de preços e a idealização de melhores trajetos, e a criação e manutenção de ciclovias, proporcionando segurança para quem deseja se deslocar por esse meio gratuito e saudável para o meio ambiente. Com isso, espera-se desenvolver um sistema de mobilidade inteligente, melhorar o fluxo para o transporte de cargas e pessoas, além de tornar realidade o que está elencado na Constituição.