A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 13/11/2021

De acordo com Aristóteles, a política tem como função preservar o afeto entre as pessoas de uma sociedade. Entretanto, não é isso que se nota na sociedade brasileira no que tange à mobilidade urbana no Brasil, visto que tal setor encontra-se em uma crescente crise e não recebe a devida atenção do Estado. Nesse sentido, a problemática é consequência da má infraestrutura dos transportes públicos e a má influência midiática.

Deve-se pontuar, de início, que a má infraestrutura dos transportes públicos disponibilizados na cidade caracteriza-se como um grave impedimento para a resolução da crise. Segundo a pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), mais que 80% dos entrevistados começariam a utilizar transportes públicos se estes correspondessem às suas expectativas. Sob essa lógica, é explícito como a insegurança causada pela falta de infraestrutura desses transportes é um intensificador da crise na mobilidade urbana no Brasil.

Vale ressaltar, também, que a má influência midiática contribui para o crescimento da crise. Para Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Sob esse viés, percebe-se como a mídia não cumpre seu papel ao perpetuar o consumismo sobre o setor automobilístico por meio de propagandas, desincentivando o público a optar por outras maneiras de locomoção nas cidades.

É necessário, portanto, que medidas sejam desenvolvidas para a resolução desse problema. Dessa forma, as Secretarias de Estado de Infraestrutura e Mobilidade de cada estado brasileiro, em parceria com as empresas de transporte, devem criar um planejamento para a criação e ampliação de corredores e faixas exclusivas de ônibus, bem como avaliar projetos técnicos para a ampliação de linhas de transporte público nos municípios. Tal ação pode, ainda, ser divulgada nas emissoras de televisão de canais abertos, com o intuito de diminuir a insegurança e incentivar o uso de transportes públicos pela população, atenuando, assim, os efeitos da crise no cenário brasileiro atual.