A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 15/11/2021

Durante o Governo de Juscelino Kubitschek, a indústria automobilística foi alvo de grande desenvolvimento e, até mesmo, símbolo da modernização brasileira. No quadro hodierno, entretanto, percebe-se que, tal política adotada na época, teve impacto na crescente crise na mobilidade urbana atual; haja vista que a relação entre a industrialização do país e a produção de automóveis trouxe ao povo brasileiro a idéia de que ter um carro próprio eleva o status social. Nesse contexto, faz-se necessário a análise dos fatores que estimulam essa conjuntura.

Diante de tal cenário, nota-se que, um dos motivadores para essa crise é, certamente, a imobilização do poder público. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que a falta de controle do Estado leva a desordem mundial. Sendo assim, o governo, com o dever de administrar o país para o bem do coletivo, não tem sido eficiente; visto que a falta de infraestrutura dos transportes públicos, embora contraposto aos direitos dos cidadãos, é, infelizmente, tratada com descaso pelas esferas de poder.

Ademais, outro fator estimulante para esse desequilíbrio é o número de indivíduos que possuem seu próprio automóvel. Isso ocorre porque desde a Revolução Industrial, o consumo exagerado de bens materiais, espe-cialmente aqueles de valor, tem se tornado um indício de poder e riqueza. Desse modo, a parcela do corpo social que possui recursos para obter seu próprio transporte, opta por tê-lo; e a parte que não, se sente influenciada a fazê-lo, tanto pela questão individualista, quanto pela inoperância do Estado. Assim, tais aspectos da sociedade, lamentávelmente, acabam por contribuir para a crise na mobilidade urbana.

Portanto, a fim de alterar a conjuntura inicial e visando um país com meios de locomoção mais desenvolvidos, o Ministério da Infraesturura, por meio de verbas governamentais, deve investir, com urgência, na reforma de transportes públicos. Dessa maneira, a indústria automobilística poderá ser, realmente, o simbolo do desenvolvimento do Brasil, assim como queria Juscelino Kubitschek.