A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 15/11/2021
“Fugere Urbem”. Lema do Arcadismo, cujo significado é “fugir da cidade”, os escritores da escola literária enalteciam a vida no campo, em virtude de ser um ambiente de paz e de tranquilidade. Se estivessem vivos hoje, os arcadistas, certamente, continuariam a escolher uma morada próxima à natureza, haja vista o caos referente à mobilidade urbana, que complica o cotidiano da população brasileira. Dessa forma, há de se buscar meios para solucionar o problema do deslocamento no país, proveniente ora da valorização do rodoviarismo, ora do perigo dos veículos alternativos.
É válido destacar, a princípio, a apreciação de viagens pelas estradas como impulsionadora do revés. Nesse sentido, o bordão “50 anos em 5”, do Governo Juscelino Kubitscheck, propôs o desenvolvimento nacional, sendo uma de suas medidas a construção de rodovias para integrar o Brasil e para atrair empresas do ramo automobilístico. Anos depois, a locomoção, em sua maioria, segue os padrões estabelecidos por JK, uma vez que os serviços de deslocamento estão à mercê de caminhões e de carros, e não de transportes ferroviários – método optativo de grande serventia. Por consequência, tem-se os congestionamentos quilométricos nas cidades, de modo a dificultar o direito de “ir e vir” assegurado pela Constituição.
Além disso, a falta de segurança no uso de veículos alternativos impede a melhoria da mobilidade urbana. Nessa lógica, a bicicleta, antes associada à prática de atividades físicas e ao lazer, é vista, também, como um método de transporte entre regiões. Ocorre que o perigo nas ruas inviabiliza a consumação desse tipo de deslocamento, pois a falta de faixas especiais e o desrespeito dos motoristas de automóveis maiores não garantem a proteção dos ciclistas para chegarem até ao destino. Logo, significativa parcela social prefere suportar o caos no tráfego para proteger o bem mais valioso: a vida.
Portanto, a fim de estimular o uso de veículos coletivos, cabe aos governos municipais, por meio de parcerias com empresas do ramo tecnológico, criar um aplicativo, o qual pode ser chamado, por exemplo, de “Minha Carona!”, que apresentará as rotas e os horários dos transportes públicos (metrôs e ônibus), além de permitir o cadastramento de cidadãos para oferecer viagens a outros indivíduos. Em adição, as prefeituras devem construir ciclovias em suas cidades, bem como instaurar cursos instrutivos para motoristas de carros e de caminhões, com o fito de promover a segurança dos ciclistas. Assim, com o problema da mobilidade urbana amenizado, poder-se-á contemplar a tranquilidade da cidade, algo não expressado pelos arcadistas.