A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 16/11/2021

Foi durante o governo de JK que o desenvolvimento econômico esteve atrelado ao crescimento da indústria automobilística. Através da construção de grandes obras rodoviárias, o Estado incentivava o consumo desse produto. Paralelo a isso estava a mídia, ao tornar o carro um símbolo de status despertava no telespectador o desejo de adquirir um automóvel. Sendo assim, fica evidente que a negligência estatal bem como o incentivo da mídia impactam a vida dos brasileiros.

A Constituição Federal Brasileira de 1988 assegura direito meio ambiente ecologicamente equilibrado a todos. Todavia, esse é apenas mais um dos direitos legalizados que, conforme afirma o jornalista Gilberto Dimestein, no livro “O cidadão de papel”, figuram tão somente impressos, haja visto que ao incentivar à compra de automóveis, contribui para o aumento de gases tóxicos a serem emitidos na atmosfera, como também a destruição da fauna e flora para a construção de rodovias afetando a qualidade de vida da população.

Aliada a negligência estatal está o consumo incentivado pela mídia. E conforme afirma Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, como agente formador de opiniões ao exaltar o status do consumo desse bem, contribui diretamente para a consolidação do problema, uma vez que para se encaixar no padrão, muitos brasileiros acabam se endividando para conseguir alcançar essa ascensão social.

Portanto, fica evidente que a negligência estatal aliada a mídia contribuem para o consumo desses automóveis. Cabe ao Estado que tem por função promover qualidade de vida, desenvolver um sistema de transporte por meio de parcerias com empresas privadas afim de promover a adesão do uso de transporte coletivos. A partir de ações como essas será possível controlar a emissão de gases, tornando o ar atmosférico mais puro, melhorando a qualidade de vida dos brasileiros.