A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 18/11/2021

Para o filósofo Jean-Paul Sartre, “O ser humano é livre e responsável, cabe a ele escolher seu modo de agir”. Essa visão, embora correta, não abrange todo o hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que a crescente crise na mobilidade urbana tem afetado grande parte da população. Isso ocorre tanto em função do número excessivo de carros nas ruas, associado ao mau planejamento das vias urbanas, como também pela inação das esferas governamentais para conter esse dilema. Diante disso, é imprescindível conhecer e discutir os diversos estigmas dessas problemática, na propensão de solucioná-la.

A princípio, é válido reconhecer como esse panorama supracitado é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Jurgen Habermas, que consiste na capacidade de uma pessoa em defender seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade, que demanda ampla informatividade prévia. Dessa forma, sabendo que a cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os sujeitos não possuam total consciência da realidade na qual estão inseridos, eles serão incapazes de assumir pela defesa pelo coletivo. Logo, o aumento constante de veículos, sem um introdutório discernimento de todos seus malefícios para a população, não pode ser aceito em nome do combate, também, ao individualismo e zelo pelo bem grupal.       Ademais, o controle de dados impulsiona a indústria cultural, teoria criada pelos sociólogos Adorno e Horkheimer. Segunda essa teoria, a cultura de determinado local é substituída por uma que se sobressai, fenômeno intensificado pela concentração de renda. Em virtude de manipulações por autoridades governamentais e, de acordo com a Organização das Nações Unidas, o Brasil tem a 2ª maior concentração de renda do mundo; uma vez que os elementos da cultura a serem difundidos são vinculados aos que têm mais poder de voz. Isso causa desapego da população em praticar ações que necessitam serem realizadas, tanto por autoridades governamentais como pelo cidadão.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério do Desenvolvimento Regional deve propor o replanejamento das vias públicas de todas as cidades brasileiras, prevenindo futuros e reparando os atuais colapsos de trânsito, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tal planificação tem como finalidade assegurar maior mobilidade urbana e servirá para diminuir os congestionamentos. Como também, o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) deve estabelecer uma nova aula obrigatória no processo para obter a habilitação de trânsito, que conscientize os alunos sobre uso excessivo de automóveis e quais as formas de evitá-los, para que todos motoristas passem a ter esse conhecimento prévio. Espera-se, assim, o controle desse problema.