A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 18/11/2021

Os poetas pertencentes ao movimento literário chamado Arcadismo aplicavam o lema “Fugere Urbem” em seus poemas, que significava a fuga da cidade em direção ao campo, por representar a paz e a tranquilidade, em relação ao agito e caos metropolitano. Do fato ao contexto hodierno, a crescente crise na mobilidade urbana nos grandes centros populacionais brasileiros aumentou a insatisfação da população. Isso porque, além da insegurança causada por conta dessa desorganização, as políticas públicas sobre a infraestrutura foram precipitadas e causaram um prejuízo no que tange os deslocamentos de civis pelas cidades.

Antes de tudo, é importante ressaltar a ineficiência do Estado perante o planejamento das cidades. Acerca disso, é pertinente abordar o Plano de Metas, organizado e aplicado durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, com a finalidade de evoluir, exacerbadamente, diversos setores da sociedade em 5 anos, com destaque para a área de automobilismo. Sob essa ótica, o movimento gerado pelo investimento pesado em rodovias e estradas contribuiu para que as cidades se configurassem em um modo que o deslocamento de automóveis fosse privilegiado, em detrimento de outras modalidades de transporte, para favorecer as indústrias de veículos.

Nesse sentido, a preferência de carros em projetos sobre mobilidade agrava a insegurança no transporte público e nas cidades. De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, os acidentes graves envolvendo ciclistas aumentaram 30% nos primeiros 5 meses de 2021, se comparado ao mesmo período de 2020. A partir disso, reflete-se que há um problema no planejamento urbanístico, porque as cidades não foram pensadas para suportar todos os meios de transportes, o que contribui diretamente com a crescente crise de mobilidade urbana no país.

Portanto, torna-se clara a presença dessa problemática no cenário brasileiro e a necessidade de soluções para esse impasse. Para tanto, o Ministério do Transporte, responsável pelo gerenciamento de políticas de mobilidade e tráfego, deve, por meio de recursos do Tribunal de Contas da União, investir na construção de acessos para diferentes modalidades de locomoção, de modo a descongestionar as cidades com essa imensa frota de veículos e permitir uma maior participação de outros grupos, como ciclistas e pedestres. Além disso, ele precisa, com propagandas veiculadas em redes sociais e canais televisivos, informar sobre a responsabilidade que cada cidadão possui no trânsito, com a finalidade de promover uma maior consciência social nas ruas e evitar que mais acidentes aconteçam. Desse modo, criar-se-á um ambiente mais seguro e saudável, que respeite as diversas modalidades de locomoção e torne a cidade um ambiente de paz e tranquilidade, como o Arcadismo propõe.