A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 28/03/2022

O livro “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, livre de conflitos e complicações. No entanto, a realidade brasileira mostra-se distante da obra, uma vez que os problemas associados à mobilidade urbana são presentes e atuantes no hodierno. Logo, faz-se necessário o debate acerca do descaso político, como também das consequências geradas na sociedade.

Com efeito, vale ressaltar que um dos principais motivos para os engarrafamen-tos frequentes é a concentração exarcebada de automóveis nos centros urbanos, gerada pela redução do uso de transportes públicos. Nesse viés, segundo pesqui-sas realizadas pelo IBOPE, o principal motivo pelo qual os brasileiros não optam, por exemplo, pelo deslocamento através de ônibus, é a precariedade desses meios - os quais não oferecem conforto e, muitas vezes, segurança aos passageiros. Dessa maneira, a falta de investimentos públicos para melhorar as condições dos transportes citados, revela uma forte negligência estatal em relação ao problema, uma vez que a ausência do governo implica na continuidade do impasse.

Consequentemente, com o aumento da concentração de automóveis nas avenidas, há também impactos ecológicos. Nesse sentido, observa-se que a crescente emissão dos gases de efeito estufa, gerada pela queima de combustível fóssil nos veículos, representa um grave efeito do problema supracitado, uma vez que a redução do congestionamento no trânsito, com a adesão ao transporte público, diminuiria os problemas causados no meio ambiente. No entanto, esse aspecto ambiental é alvo de enorme descaso do governo, o qual é evidenciado através da falta de políticas públicas para atenuar a problemática que o causa.

Depreende-se, portanto, a importância de medidas para garantir a mobilidade urbana no Brasil. Posto isso, cabe ao Governo Federal elaborar um projeto, o qual, por meio do conserto dos veículos de transporte público - como ônibus, metrôs e BRTs - e do aumento da disponibilidade deles nos centros urbanos (seguindo uma ordem de prioridade, dos mais precários aos mais qualificados), tenha por objetivo encorajar a população a aderir à locomoção através dessa modalidade e, assim, diminuir os congestionamentos e a emissão de gases poluentes. Desse modo, a sociedade brasileira se aproximará àquela descrita por More.