A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 03/04/2022

“No meio do caminho tinha uma pedra/ Tinha uma pedra no meio do caminho”. Esses versos de Carlos Drummond de Andrade podem se relacionar a um tema atual, já que em uma era de avanços tecnológicos no Brasil, a crescente crise da mobilidade urbana funciona como uma “pedra” que atrapalha o progresso nacional. Isso ocorre devido à ineficácia estatal em garantir direitos presentes na lei e à alienação causada pelo capitalismo.

Primeiramente, a ineficácia estatal em garantir direitos presentes na lei intensifica o problema. Segundo o Artigo 1º da Constituição Brasileira de 1988, é dever do Estado assegurar a eficácia e o funcionamento dos transportes públicos no país. Entretanto, isso não está acontecendo, pois o congestionamento causado pelo baixo uso do transporte coletivo aumenta cada vez mais. Como consequência, a poluição das cidades e as temperaturas médias se elevam, já que ocorre um fenômeno conhecido como “ilhas de calor”. Então, vê-se necessária uma ação a fim de amenizar a situação.

Além disso, a alienação causada pelo capitalismo também reforça o entrave. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, no processo de massificação da sociedade são formados indivíduos alienados, os quais não reagem a situações que corroboram o senso comum. Assim, ao se analisar aqueles que optam por meios de transporte individuais, pode-se afirmar que a filósofa tem razão, porque esses nem mesmo sabem dos efeitos negativos causados por essa ação. Consequentemente, a mobilidade urbana continuará em crise, pois os causadores disso não irão se mobilizar para alcançar o bem comum. Logo, é evidente que a população tupiniquim deve ser conscientizada em relação a esse tema.

Portanto, é indubitável que os principais entraves que corroboram a crescente crise da mobilidade urbana são a ineficácia estatal em garantir direitos presentes na lei e a alienação brasileira causada pelo capitalismo. Dessa forma, o Ministério da Infraestrutura, em parceria com o Ministério da Propaganda, deve criar anúncios que evidenciem as consequências da utilização de transportes indivíduais no Brasil. Com isso, a população estaria mais informada sobre o assunto,e, consequentemente, auxiliaria no combate à crise da mobilidade urbana no país.