A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 03/04/2022

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, do clássico livro “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, sempre teve como caraterística mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, a crise na mobilidade urbana somada a falta de investimentos em infraestrutura torna o país mais distante do imaginado pelo sonhador personagem. Essa perspectiva, seja pela falta de investimentos, seja pela negligência governamental, a falta de mobilidade urbana continua afetando de forma negativa o cotidiano brasileiro, o que exige reflexão urgente.

Em primeiro lugar, é importante destacar que o conceito de mobilidade urbana é essencial para o planejamento da cidade e interfere diretamente na qualidade de vida dos cidadãos. Problemas com direito de ir e vir se relacionam com o processo de urbanização, desde as chegadas das indústrias, em 1930, que provocaram um exôdo rural e uma consequente migração acelerada. Contudo, o planejamento urbano e a evolução dos meios de trasporte não acompanharam esse rápido crescimento, o que fez com que se desenvolvessem transportes públicos descuidados e sucateados. Enquanto indivíduos com maior poder aquisitivo, puderam investir em transportes individuais, aumentando o número de automóveis nas ruas, resultando em maior cogestionamento e poluição.

Por conseguinte, a utilização de veículos de transporte deve visar o bem coletivo, a esse respeito, para o filósofo John Locke, a negligência do Poder Público é a quebra do Contrato social, ou seja, providências a fim de alcançar os direitos naturais, é dever da arena pública. Problemas como espera longa e lotação, levam a descontentamentos por parte da população. Vale destacar o Movimento Passe Livre, ocorrido em 2013, que visava discutir e lutar por transporte público gratuito, democratizado, de qualidade e fora da iniciativa privada.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para isso, é importante a ampliação das áreas atendidas pelo transporte, integração entre os transportes públicos e investimentos em planejamento urbano. Somente assim, será possível a melhoria da mobilidade urbana.