A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 30/04/2022

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6°, o direito ao transporte como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a crescente crise na mobilidade urbana brasileira, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão do alto custo de transporte, mas também devido o culto ao carro.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o alto custo de transporte público. Um estudo feito pelo Sistema de Pesquisas Internacionais,divulgou que o Brasil ocupa a 55ª posição do ranking do passe mais caro do mundo, em que os cidadãos precisam desembolsar, em média, R$ 4,40 apenas pela passagem de ida. Esse cenário, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o transporte, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, o culto ao carro se mostra desafio à gestão da mobilidade no meio urbano. A esse respeito,o filósofo Adorno criou o conceito de Indústria Cultural, segundo o qual a mídia veicula conteúdos de forma persuasiva, a fim de orientar o comportamento a sociedade. Nesse viés, a preferência da população por carros é motivada pelo constante discurso midiático denunciado por Adorno e reafirma a ideologia imprópria e egoísta, que eleva os veículos automotores a objetos de prestígio. Assim, enquanto a supervalorização do carro for a regra, os cidadãos serão obrigados a conviver com um dos maiores desafios do meio urbano: o trânsito caótico.

Deprende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso,é imprescindível que a Secretaria Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos, responsável pela promoção do desenvolvimento regional e urbano, por meio de discussões nas mídias sociais voltadas á população, deve manifestar seu senso crítico, visando diminuir o valor do transporte. Afim de desistimular o culto ao carro, e assim facilitar que a promessa de Guimarães deixe de ser apenas teoria.