A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 24/06/2022

“Os fatos não deixam de existir somente por serem ignorados”, a declaração atribuída ao escritor inglês Aldous Huxley, ao ser analisada na atual conjuntura do país, possibilita a reflexão sobre como a problemática da mobilidade urbana é negligenciada no tecido social brasileiro. Sob essa perspectiva, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a falta de investimentos e a segregação socioespacial.

A princípio, é imperioso ressaltar que o crescimento desordenado das cidades no século passado conduziu ao fenômeno denominado inchaço urbano, ou seja, o aumento da população foi desacompanhado de políticas públicas, incluídas as relativas à mobilidade. Dessa forma, apesar de os indivíduos residirem majoritariamente em áreas periféricas, a falta de planejamento converteu-se na concentração econômica e de serviços nos centros dos municípios, fator que força um deslocamento massivo para esses espaços, culminando em situações como congestionamentos e perdas econômicas devido ao tempo perdido no trânsito.

Nesse contexto, para a plenitude do sistema de locomoção, são necessárias medidas que transformem a realidade supracitada.

Ademais, convém pontuar que a falta de recursos financeiros destinados a outros modais de transporte é um dos fatores que corroboram para a manutenção do problema. Por conseguinte, conforme dados do IBGE, mais da metade das pessoas e cargas são transportadas na malha rodoviária, fato que conduz a uma relação de dependência e torna o país menos competitivo no mercado internacional. Sob essa ótica, faz-se necessária uma descontinuidade de tal processo.

Portanto, caminhos devem ser elucidados para que a mobilidade urbana se torne ideal. Dessarte, faz-se preciso que o Ministério da Infraestrutura, associado aos governos estaduais e municipais, por meio de verbas governamentais e mobilização de funcionários públicos, estabeleça um plano nacional de logística dos deslocamentos, o qual será responsável por gerenciar as diferentes modalidades de trânsito, de modo a maximizar o uso do potencial geográfico de cada região e reduzir a dependência do modal rodoviário e o fluxo migratório interno, assim garantindo maior qualidade de vida a todos.