A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 21/07/2022
Apesar da constituição federal de 1988, no artigo 6, assegurar nos direitos sociais o transporte, observa-se que na realidade brasileira não há o cumprimento pleno dessa garantia, por causa da falha de mobilidade nos centros urbanos brasileiros. Esse problema advém da falta de planejamento urbano, acarretando a segregação socioespacial e evidenciando a sociedade do cansaço atual.
Primeiramente, vale discutir a raiz histórica que causou essa problemática. Em 1960, iniciou o processo de urbanização brasileira, realizado tardiamente em comparação aos países desenvolvidos e de maneira extremamente acelerada e mal planejada. Assim, nessa nefasta organização, procurou-se construir rodovias majoritariamente “carrocentricas”, ou seja, que valorizam a presença de carros ou automóveis privados, acarretando a precarização da rede de transporte pública. Dessa forma, aumenta-se a problemática do transporte urbano, já que, com a presença de milhares de carros a locomoção se torna cada vez mais difícil. Além de que, com a ineficiência da rede pública, a população de baixa renda que depende desses serviços não irá ter a oportunidade de grande locomoção, ocasionando a segregação social
Ademais, é evidente ressaltar as consequências negativas que o impasse causa. De acordo com o filósofo sul-coreano Byung-Chu Han, o mundo atual se encontra marcado pela sociedade do desempenho, onde há uma excessiva positividade —motivado pela ganância de produtividade do capitalismo—, na qual todos precisam ser inovadores e produtivos. Porém, com a estagnação do trânsito, esse ideal não é realizado, o que, na maioria das vezes, proporciona um estresse na população causado pela necessidade de se sentirem produtivos. Dessa forma, a falta de mobilidade pode ocasionar a decorrência de doenças mentais, como ansiedade.
Diante do exposto, se mostra necessária a melhoria da mobilidade urbana no Brasil. Com o intuito de melhorar o fluxo do trânsito nos centros urbanos, cabe ao Ministério da Infraestrutura melhorar a organização rodoviária, por meio do melhor planejamento Urbano — que minimizem os impactos da conurbação acelerada. Quem sabe assim, a maioria dos brasileiros possam usufruir do seu direito constitucional.