A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 30/07/2022

“Estresse”, “aborrecimento”, “cansaço” são algumas das palavras frequentemente associadas à discussão concernente à mobilidade urbana nas cidades brasileiras. A situação caótica existente no trânsito rotineiro das áreas urbanas, herança de décadas de políticas públicas mal formuladas, cresce no debate nacional à medida que periga colapsar a economia do país, caso a deterioração da mobilidade urbana continue a piorar de forma exponencial. Com isso em vista, urge a necessidade de rastrear as principais causas do problema com a premissa de pensar em resoluções para esta problemática.

A sujeição do Brasil ao modal rodoviário tem origens históricas no processo de industrialização nacional que se deu por meio do Plano de Metas, programa de desenvolvimento implantado pelo Governo Juscelino Kubitschek. Embora tenha sido relativamente bem-sucedido em sua época, o Plano de Metas investiu quase exclusivamente no transporte rodoviário. Essa política marcou o Brasil de forma duradoura visto que, segundo o IPEA, ainda hoje o transporte rodoviário é o meio responsável pelo transporte de 76% dos produtos consumidos no país.

Paradoxalmente a grande dependência que o Brasil tem do transporte rodoviário, está o enorme potencial mal explorado do país nos outros modais. Levando em conta que o Brasil é um país com uma grande quantidade de rios e lagos além de um território marítimo que se estende do sul ao norte do seu território. É preciso levar em conta ainda que existe um grande potencial para o modal ferroviário fora das grandes metrópoles, haja vista que a maior parte das commodities brasileiras fluem do interior para o litoral por meio das rodovias.

Portanto, a fim de amenizar o grande problema da mobilidade urbana no Brasil, é necessário que o Ministério da Infraestrutura junto aos governos estaduais e com os municípios brasileiros corrija o erro estratégico que foi privilegiar o modal rodoviário frente aos outros modais. Essa ação pode ser executada por meio de parcerias público-privadas que direcionem recursos para a construção de portos,

atracadouros e ferrovias que permitam a expansão dos transportes aquaviário e ferroviário como método de escoamento e de transporte de massa. Dessa forma, será possível superar os desafios da mobilidade urbana no Brasil.