A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 08/08/2022
A música “Que país é este? ”, da banda Legião Urbana, no trecho: “ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”, faz denúncia acerca de diversos problemas sociais, entre os quais destaca-se a crescente crise na mobilidade urbana brasileira. Esse problema é causado, principalmente, pela ineficácia governamental e pela má influência midiática.
É lícito referenciar, a princípio, o jornalista Gilberto Dimenstein, que em sua obra, “Cidadão de Papel”, retrata um cidadão com direitos adquiridos, porém não usufruídos. Isso pela falta de condições oferecidas pelo Estado. Desse modo, no Brasil pode-se perceber que o cenário proposto pelo jornalista pode ser aplicado à mobilidade urbana, uma vez que a ineficiência governamental faz com que não haja projetos efetivos de melhora dos transportes públicos e nem de incentivo a outras formas de locomoção. A partir disso, observa-se consequências negativas para toda a população civil, como filas muito grandes de carros e poucas faixas para ciclistas e pedestres.
Além disso, de acordo com o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de Democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Percebe-se, então, que a mídia, em vez de proporcionar discussões que aumentem o nível de informação da população acerca dos benefícios do uso de bicicletas ou da preferência pela caminhada, não só para a melhora da mobilidade urbana, mas também para a saúde do indivíduo. Isso acontece, em sua maioria, porque a mídia é patrocinada por grandes empresas que obtêm seu lucro de situações como essa. Percebe-se, então, a mídia indo de encontro ao cenário descrito pelo filósofo.
Portanto, para melhorar a mobilidade urbana no Brasil, o governo federal deve instituir um comitê gestor para direcionar mais verbas a projetos de melhoria do transporte público e de incentivo a outras formas de locomoção e para campanhas informativas realizadas por meio de curta-metragens e de vídeos lúdicos. Diante disso, os conteúdos serão disponibilizados gratuitamente em plataformas de fácil acesso, como o Youtube. Isso será feito a fim de remediar não somente a ineficiência governamental, mas também o silenciamento midiático.