A crescente crise na mobilidade urbana brasileira

Enviada em 08/09/2022

O futurismo, vanguarda europeia de grande influência no Brasil, retratava a mo-tilidade e a velocidade como dois fatores indispensáveis ao progresso do mundo moderno. Contudo, essa fluidez não é vista no cotidiano nacional, uma vez que o modelo de mobilidade urbana é marcado pela estagnação temporal e política. Assim, pode-se inferir que a grande crise desse cenário é reflexo de um legado histórico de ocupação e que persiste devido a inação governamental atual.

Sob essa ótica, percebe-se que as ações passadas influenciaram na criação do contexto urbanístico vigente. Nesse sentido, nota-se que o modelo colonial de ex-ploração contribuiu para o quadro atual dos centros urbanos brasileiros, na medi-da que desenvolvia apenas a região brasileira de interesse da metrópole. Dessa forma, tal ação foi responsável por deixar áreas marginalizadas e criar adensa-mentos populacionais que, ainda hoje, possuem demanda por infraestrutura para aprimorar o fluxo urbano.

Além disso, é notória a ausência de políticas públicas como causa do problema. De acordo com o artigo 5 da Constituição Federal de 1988, é estabelecida a livre locomoção a todos os brasileiros e estrangeiros residentes. Contudo, devido à ino-perância governamental em ofertar melhores formas de acesso às vias públicas, tais como ciclovias, calçadas uniformes e ampliação da frota de ônibus, o direito de ir e vir, que em tese é garantido pela Carta Magna, não se reverbera na prática, haja vista a ausência do Estado e a persistência das más condições de mobilidade.

Portanto, urge que medidas sejam tomadas para que o direito constitucional supracitado esteja presente na realidade. Para isso, é preciso que o Ministério da Infraestrutura, órgão responsável pelo desenvolvimento estrutural, por meio do repasse de verbas, execute reformas nas vias públicas e aumente a frota do transporte coletivo com o fito de melhorar a mobilidade urbana brasileira. Tais ações, a longo prazo, poderão, enfim, garantir o direito de ir e vir e conferir maior dinamicidade ao fluxo urbano, de modo análogo à vanguarda futurista.