A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 14/10/2022
O governo de Jucelino Kubitscheck é conhecido na história como a época do desenvolvimentismo, uma fase brasileira marcada pelos amplos investimentos na área industrial, principalmente no setor automobilístico, visando o crescimento econômico. Contudo, tais medidas acabaram culminando numa superlotação de automóveis, causando além do estresse social, a poluição do meio ambiente.
Primeiramente convém resaltar que tal prioridade causou um desenvolvimento centrado no transporte rodoviário, de modo que outros meios de locomoção como o transporte público ou alternativos, como a bicicleta e deslocamento a pé, sofreram um crescente descaso, perpetuando um quadro onde a maioria dos brasileiros optam pelo automóvel particular.
Em uma segunda análise é possível traçar paralelos entre a mobilidade urbana brasileira e a teoria de Habitus, elaborada pelo francês Pierre Bourdieu, segundo a teoria,a sociedade e subvertida a alguma situação e em seguida naturaliza essa situação, mesmo que não mais subvertida. Pode ser citado o descaso governamental de Jucelino perante a problemática como responsável pelo início do ciclo de Habitus e a continuidade do estado crítico, mesmo após o fim de seu governo.
Portanto, urge que o Governo Federal, em especial o Departamento de Projetos de Mobilidade e Serviços Urbanos (DEMOB), desenvolva políticas públicas que ampliem as frotas de linhas de ônibus, calçadas e ciclovias, visando incentivar o transporte público e alternativo brasileiro.