A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 27/10/2022
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos superficiais e egoístas que regem essa nação. Todavia, no contexto hodierno, a crescente crise na mobilidade urbana brasileira não se distancia da ficção expressa na escrita do autor. Assim, a periferização do corpo social e a negligência estatal corroboram para o avanço da problemática.
Precipuamente, é fulcral pontuar a concentração de grande parte da população em zonas periféricas. No livro de romance “Vicious”, de L.J Shen, a protagonista precisa fazer uso constante de seu veículo e, por vezes, tem seu tempo desperdiçado por passar longas horas em engarrafamentos. Nesse aspecto, o aumento de congestionamentos, intrínseco a uma expansão das frotas veículares, ocasiona em um maior tempo gasto para deslocamento entre áreas urbanas e gera uma ampliação do número de transtornos mentais, decorrentes do estresse acumulado no trânsito e da imposição do ritmo acelerado da cidade. Desse modo, a história fictícia se aproxima do mundo contemporâneo.
Além disso, a omissão estatal ressalta o problema. A Constituição Federal de 1988 assegura o acesso a transporte como um direito inerente a todo cidadão brasileiro. Contudo, no cenário nacional moderno, a ausência de políticas públicas eficazes na área de mobilidade urbana, vinculada a uma má infraestrutura dos transportes públicos, acarreta na exclusão social da parte menos favorecida da população e propicia uma redução da mobilidade progressiva. Dessa forma, não há o cumprimento do direito do cidadão brasileiro no cenário nacional.
Portanto, medidas exequíveis tornam-se necessárias para conter o avanço do problema. O Ministério dos Transportes, órgão responsável pela elaboração e execução da política nacional de transportes, por meio dos governos municipais, deve destinar verbas para a ampliação e reformação dos transportes públicos a fim de garantir ao corpo social uma maneira eficiente e confortável de se locomover. Ademais, os núcleos midiáticos em parcerias com os centros educacionais, devem promover campanhas que visem concientizar a população a respeito de um transporte mais seguro e menos poluente, tal qual o transporte ativo. Dessa maneira, atenuar-se-à, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do problema.