A crescente crise na mobilidade urbana brasileira
Enviada em 31/10/2022
Em 1920, o então presidente da General Motors, Alfred Sloan, criou o conceito da ‘‘obsolescência programada’’, que consistia na predisposição dos carros, fabricados na época, de se tornarem obsoletos em pouco tempo de uso. Com a globalização, o conceito se estendeu pelo mundo e hoje, faz parte do cenário brasileiro, que enfrenta uma crise na mobilidade urbana. Assim, a mentalidade consumista e o modal de transporte inadequado agravam a crise em questão.
Nessa perspectiva, o consumismo desenfreado provoca o aumento do volume de carros. Diante disso, o sociólogo Zygmunt Bauman discute sobre como a sociedade está pautada no prazer imediato e demonstra pouca preocupação com as consequências de seus atos. Sob essa ótica, cabe refletir sobre como o carro se tornou um símbolo de demonstração do poder aquisitivo do indivíduo, estimulando cada vez mais a compra de modelos recém lançados. Dessa forma, o ciclo de consumo de carros diminui a fluidez do tráfego brasileiro.
Além disso, a ineficácia do meio de transporte utilizado contribui para o transtorno na motilidade. Durante seu governo, Juscelino Kubitschek realizou investimentos na indústria automobilística e implantou o sistema rodoviário no território brasileiro. Ainda que tenha vantagens, esse modelo não é o mais adequado para o país, uma vez que demanda alto custo de manutenção, risco de acidentes, emissão de gases poluentes pelos veículos e possibilidade de trânsito intenso.
Portanto, o consumo exacerbado e o modal rodoviário intensificam a crise na mobilidade brasileira. Com isso, é papel do Ministério do meio ambiente, órgão federal responsável pela preservação dos recursos naturais, promover campanhas que desestimulem a compra compulsiva de carros, por meio de propagandas nas mídias sociais. Ademais, cabe ao governo federal, órgão responsável pelo bem-estar da sociedade, implementar modais de transporte alternativos no território do país, por meio da criação de malhas metroviárias nas cidades brasileiras. Apenas dessa forma, a instabilidade que a locomobilidade nacional enfrenta apresentará melhoras.